Entidades médicas pedem suspensão de remédios manipulados para emagrecimento

Por Redação 29/11/2025, às 08h03 - Atualizado às 09h21

Sociedades médicas enviaram nesta sexta-feira (28) uma carta aberta à Anvisa solicitando a suspensão cautelar da fabricação, venda e prescrição de versões manipuladas e injetáveis de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O pedido ocorre um dia após a Polícia Federal apreender itens de luxo em operação contra um esquema clandestino de produção e comercialização desses remédios usados para emagrecimento.

O documento foi assinado por SBEM, Abeso, SBD, Febrasgo e AMB. As entidades alegam risco sanitário iminente, citando produção irregular, ausência de controle de qualidade e circulação nacional em larga escala de produtos falsificados. Também mencionam operação recente da PF que revelou um esquema estruturado de fabricação clandestina e relatam documentação técnica que aponta a atuação recorrente e sem amparo regulatório desse mercado.

As sociedades afirmam que as versões manipuladas não têm registro sanitário, não comprovam equivalência farmacêutica e podem empregar insumos de origem desconhecida.

Elas ressaltam que moléculas como a tirzepatida exigem processos industriais complexos, cadeia fria rigorosa, testes avançados de estabilidade e envase asséptico, condições que não podem ser reproduzidas em farmácias de manipulação.

As entidades ainda alertam para riscos como variação imprevisível de dose, contaminação microbiológica ou química, uso de veículos inadequados, degradação por falta de refrigeração e reações alérgicas graves. Segundo o grupo, a proliferação dessas versões clandestinas compromete a segurança dos pacientes, fragiliza o sistema regulatório e dificulta o tratamento adequado da obesidade.