EUA e China anunciam trégua de 90 dias na guerra comercial

Por Redação 12/05/2025, às 09h28 - Atualizado às 09h28

As autoridades dos Estados Unidos e da China anunciaram nesta segunda-feira (12) um acordo para reduzir significativamente as tarifas comerciais impostas recentemente e estabelecer uma trégua de 90 dias na disputa tarifária entre os dois países. O objetivo é abrir espaço para novas rodadas de negociações e conter os impactos negativos sobre a economia global.

O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, informou que o governo norte-americano irá reduzir de 145% para 30% as tarifas sobre produtos chineses. Em contrapartida, a China diminuirá suas tarifas sobre produtos americanos para 10%. O anúncio foi feito em Genebra, durante entrevista coletiva que também contou com a presença do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Bessent destacou que o consenso entre os dois países é evitar um desacoplamento comercial. “O que estava ocorrendo com essas tarifas muito altas era, na prática, um embargo. Nenhum dos lados deseja isso. Queremos comércio, e comércio mais equilibrado”, afirmou.

O Ministério do Comércio da China classificou o acordo como um “passo importante” para resolver divergências bilaterais e destacou que ele atende às expectativas de produtores e consumidores dos dois países, além de contribuir para a estabilidade econômica global. A nota oficial pede que os Estados Unidos abandonem a “prática errônea de aumentos tarifários unilaterais” e mantenham o diálogo com a China.

O impacto total das medidas ainda é incerto, mas o anúncio provocou reação imediata nos mercados: os futuros do S&P 500 subiram 2,6% e os do Dow Jones, 2%, enquanto o preço do petróleo avançou mais de US$ 1,60 por barril. O dólar também se fortaleceu frente ao euro e ao iene japonês.

A trégua de 90 dias é vista por analistas e empresários como uma oportunidade para evitar prejuízos mais profundos ao comércio internacional. Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, celebrou a iniciativa, mas advertiu sobre a necessidade de continuidade nas negociações. “As empresas precisam de previsibilidade para manter suas operações e tomar decisões de investimento. Esperamos que os dois lados encontrem soluções sustentáveis e evitem medidas unilaterais que prejudiquem o comércio global”, afirmou.

Com informações do Estadão*