EUA recuam em acusação contra Maduro sobre suposto cartel

Por Redação 07/01/2026, às 09h02 - Atualizado às 08h38

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recua na acusação de que o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lideraria um suposto cartal, cahamado Cartel de Los Soles. E com isso alterou o foco da denúncia apresentada contra o ex-chefe de Estado venezuelano por crimes ligados ao narcotráfico.

A mudança consta em uma nova peça apresentada após a captura de Maduro por forças norte-americanas, na qual o nome do cartel deixa de ocupar papel central. Na denúncia anterior, apresentada em 2020 durante o primeiro governo de Donald Trump, o termo “Cartel de Los Soles” aparece dezenas de vezes e descreve Maduro como líder da suposta organização criminosa.

Já no novo documento, a expressão surge apenas de forma pontual, sem atribuir ao venezuelano qualquer comando direto sobre o grupo. A nova acusação sustenta que Maduro participa e protege um sistema de corrupção no qual elites venezuelanas se beneficiam do tráfico de drogas. Segundo o texto, os lucros dessas atividades abastecem funcionários corruptos inseridos em uma rede informal de clientelismo, citada genericamente como Cartel de Los Soles — referência às insígnias usadas por oficiais militares de alta patente no país.

A alteração na linguagem chama atenção porque o suposto cartel foi classificado como organização terrorista pelo governo Trump, argumento utilizado para sustentar, no plano político, a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) não faz menção ao Cartel de Los Soles, assim como o Relatório Anual sobre Ameaças de Drogas da DEA de 2025.

Para a consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, Gabriela de Luca, a mudança fortalece a acusação ao priorizar condutas individuais e comprováveis. Segundo ela, o enquadramento de Maduro como parte de um sistema de corrupção e tráfico, e não como líder de um cartel formal, reduz fragilidades jurídicas da denúncia.

Apesar do recuo, os Estados Unidos mantêm acusações contra Maduro por narcotráfico, incluindo supostas ligações com grupos armados colombianos, como as Farc e o ELN, além de cartéis mexicanos.

Em depoimento à Justiça norte-americana, o presidente venezuelano se declara inocente e afirma ser prisioneiro de guerra. O governo de Caracas sustenta que as acusações têm motivação política e servem para justificar a intervenção estrangeir, que na verdade tem como foco o controle das reservas de petróleo do país.

Em declarações recentes, autoridades dos EUA reforçam que consideram estratégico impedir que o petróleo venezuelano permaneça sob influência de governos considerados adversários no Hemisfério Ocidental.