Fernando Conceição promete “romper” modelo da UFBA e critica gestão atual na disputa pela reitoria

Por Redação 13/05/2026, às 16h24 - Atualizado às 16h24

Por Maria Eduarda Moura 

O professor Fernando Conceição, candidato à reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) pela chapa “UFBA Insurgente”, afirmou que pretende romper com o que classificou como um “modelo conservador” de gestão da universidade e ampliar a participação da comunidade acadêmica nas decisões institucionais caso seja eleito para o quadriênio 2026-2030.

Em entrevista ao Taktá, o docente criticou a atual administração da universidade, questionou o modelo de votação definido para a eleição e defendeu mudanças estruturais na assistência estudantil, segurança do campus e gestão financeira da instituição. A chapa tem como candidata a vice-reitora a professora Célia Sacramento, ex vice-prefeita de Salvador.

Segundo Fernando, sua candidatura surgiu inicialmente a partir da defesa das eleições diretas para reitor. O professor afirmou que, junto à Célia, protocolou em dezembro de 2025 uma proposta solicitando que a universidade adotasse votação direta em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), utilizando urnas eletrônicas.

“O processo antigo era indireto e controlado por um colégio eleitoral composto pela própria estrutura de poder da universidade. Nós defendíamos eleições diretas e mais transparentes”, afirmou.

O candidato criticou a decisão da universidade de manter a votação em cédulas de papel mesmo após a aprovação da nova legislação federal que extinguiu a lista tríplice nas universidades federais.

Segundo ele, o modelo adotado pela universidade dificulta a fiscalização pelas chapas de oposição e favorece grupos que já ocupam cargos administrativos na universidade.

“A UFBA possui dezenas de unidades, inclusive fora de Salvador. As chapas de oposição não têm estrutura para fiscalizar todas as urnas e apurações”, declarou.

Críticas à gestão e infraestrutura
Durante a entrevista, Fernando afirmou que a atual administração representa continuidade da gestão iniciada pelo ex-reitor João Carlos Salles e mantida pelo atual reitor Paulo Miguez e pelo vice-reitor Penildon Silva Filho.

O candidato apontou problemas de infraestrutura, segurança, iluminação, deterioração de prédios e dificuldades no sistema acadêmico da universidade.

Segundo ele, a situação das residências universitárias e os atrasos em bolsas estudantis afetam principalmente estudantes em situação de vulnerabilidade social, indígenas, quilombolas e alunos vindos do interior do estado.

“Há estudantes que abandonam os cursos porque não conseguem se manter na universidade”, afirmou.

Propostas de gestão
Entre as propostas apresentadas, Fernando Conceição defendeu a realização de auditorias em contratos de prestação de serviços, como transporte universitário, vigilância patrimonial e restaurantes universitários.

O professor também afirmou que pretende ampliar parcerias internacionais, buscar apoio de fundações e estabelecer novas formas de financiamento para recuperação da infraestrutura da UFBA.

Segundo ele, essas parcerias não representariam privatização da universidade.

“Queremos recuperar o patrimônio da universidade por meio de investimentos e diálogo com instituições que possam contribuir para a UFBA”, disse.

O candidato afirmou ainda que pretende fortalecer a presença internacional da universidade e aproximar a instituição de centros acadêmicos estrangeiros.

“Nosso objetivo é colocar a UFBA entre as melhores universidades do sul global”, declarou.

Segurança e assistência estudantil
Ao comentar questões relacionadas à segurança no campus, Fernando Conceição afirmou que o atual modelo prioriza a proteção do patrimônio físico da universidade em detrimento da proteção de estudantes, professores e servidores.

Segundo ele, a universidade precisa discutir novos formatos de segurança institucional, considerando as limitações legais para atuação das forças policiais estaduais dentro de espaços federais.

O professor citou exemplos de universidades como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, que possuem estruturas próprias de vigilância universitária.

“Precisamos debater alternativas para garantir segurança às pessoas dentro do campus”, afirmou.

Sobre assistência estudantil, o candidato criticou atrasos em bolsas e problemas estruturais nas residências universitárias. Segundo ele, a permanência estudantil deve ser tratada como prioridade da gestão universitária.

“Os estudantes mais vulneráveis precisam ter condições reais de permanecer na universidade”, declarou.

“Chapa insurgente”
Fernando Conceição definiu sua candidatura como uma “chapa insurgente”, por representar oposição ao grupo político que, segundo ele, controla a administração da UFBA há mais de uma década.

“Nós nos levantamos contra uma ordem estabelecida dentro da universidade”, afirmou.

O professor também destacou sua trajetória ligada à defesa das políticas de cotas raciais no ensino superior desde os anos 1990. Segundo ele, participou de movimentos em defesa da democratização do acesso às universidades públicas durante o período em que estudava na Universidade de São Paulo (USP).

Já a candidata a vice-reitora, Célia Sacramento, foi apresentada pelo professor como uma liderança acadêmica e política ligada à educação e às políticas afirmativas em Salvador.

Perfil do candidato
Professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Fernando Conceição possui trajetória acadêmica ligada às áreas de comunicação, relações raciais e políticas de democratização do acesso ao ensino superior.

Na disputa pela reitoria da UFBA para o quadriênio 2026-2030, concorre ao lado da professora Célia Sacramento pela chapa “UFBA Insurgente”, que defende mudanças no modelo de gestão da universidade, fortalecimento da assistência estudantil, auditoria de contratos administrativos e ampliação da participação da comunidade acadêmica nas decisões institucionais.

A eleição para a reitoria da UFBA será realizada nos dias 20 e 21 de maio e marcará a primeira escolha direta para o cargo máximo da universidade após o fim da lista tríplice nas universidades federais.

A votação envolverá estudantes, professores e servidores técnico-administrativos e será realizada por meio de cédulas de papel, conforme definição da Comissão Eleitoral vinculada ao Conselho Universitário (Consuni).