O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou a renovação das cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados. A medida passa a valer a partir de julho de 2026 e beneficia montadoras que utilizam o modelo de montagem por kits importados no Brasil.
A decisão impacta diretamente empresas como a BYD, que opera em Camaçari, na Bahia, utilizando o sistema SKD, em que os veículos chegam parcialmente desmontados para montagem no país.
A nova resolução estabelece um limite global de US$ 463 milhões, cerca de R$ 2,4 bilhões, para a importação de componentes sem cobrança do Imposto de Importação. O valor é semelhante ao teto adotado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.
Para as montadoras que ultrapassarem a cota estabelecida, seguem valendo as regras de aumento gradual das tarifas. No caso dos kits semidesmontados (SKD), a alíquota sobe para 35% a partir de julho de 2026. Já os kits completamente desmontados (CKD) continuarão com tarifa de 14% sobre o excedente até o fim do ano, chegando a 35% em janeiro de 2027.
O benefício não foi estendido para veículos totalmente montados e importados. Nesses casos, a tarifa integral de 35% passa a ser aplicada a partir de 1º de julho de 2026.
A medida provocou reação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A entidade afirma que a renovação das cotas favorece montadoras que dependem de componentes importados e pode prejudicar empresas que investem na produção nacional e no desenvolvimento da cadeia de fornecedores brasileiros.
Em nota, a associação criticou a mudança e informou que avalia medidas judiciais para contestar a decisão do governo federal.