George Anderson Santos da Silva, conhecido como “Dandan”, foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo assassinato da líder quilombola Tainara dos Santos. O julgamento pelo Tribunal do Júri de Cachoeira começou na quarta-feira (19) e terminou na madrugada desta quinta (20).
Por maioria dos votos, os jurados consideraram o réu culpado por feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma e munição. Também foi fixado o valor mínimo de R$ 300 mil para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e seus sucessores.
Os jurados reconheceram que o feminicídio foi cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima e que as ameaças foram motivadas por ciúme e sentimento de posse. A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Audo Rodrigues e Luciano Assis.
“Foi um alívio. Claro, não vai trazer nossa irmã de volta, porém a Justiça foi feita e bem feita”, afirmou Denivaldo dos Santos, familiar de Tainara.
Histórico
Tainara, líder quilombola e mãe de duas crianças, desapareceu em 9 de outubro de 2024. Segundo a denúncia do MPBA, ela e George Anderson mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos na época. A relação era marcada por sucessivas agressões físicas e psicológicas.
Após a separação, o acusado teria passado a perseguir Tainara e descumprido uma medida protetiva concedida pela Justiça.
Ainda conforme a denúncia, no dia em que foi vista pela última vez, Tainara teria sido coagida, mediante grave ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão de um imóvel. Em seguida, o acusado a teria levado em seu veículo.
Desde então, a líder quilombola não foi mais vista e seu corpo nunca foi encontrado.