Igreja de São Francisco será restaurada e reabre em 2029; investimento inicial é de R$ 34,7 milhões

Por Redação 03/06/2026, às 17h30 - Atualizado às 17h42

A Igreja de São Francisco, em Salvador, avançará para uma restauração integral com investimento inicial de R$ 34,7 milhões e previsão de reabertura para 2029. O anúncio do plano de recuperação, elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Ministério da Cultura, ocorre após a conclusão das obras emergenciais de estabilização do templo. O monumento, tombado desde 1938 e considerado uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo, está interditado desde 5 de fevereiro de 2025, quando o desabamento de parte do forro da nave central matou uma turista paulista e feriu outras cinco pessoas.

O projeto de engenharia e restauro foi fragmentado em três etapas sequenciais ao longo de 34 meses para garantir a continuidade dos trabalhos sem interrupções. A primeira fase, com início das obras previsto para novembro deste ano, vai concentrar R$ 30 milhões na recuperação da igreja, da portaria e da sacristia. As fases subsequentes, com projetos previstos para março de 2027, vão abranger o claustro, a sala do capítulo e a ala conventual, somando mais R$ 23 milhões estimados, sujeitos a ajustes técnicos.

Uma força-tarefa de técnicos do Iphan de todo o país já havia executado intervenções emergenciais orçadas em R$ 2,4 milhões. As ações incluíram a instalação de estruturas de estabilização, o reforço da cobertura com um novo telhado e a catalogação e armazenamento das peças remanescentes do forro de madeira que colapsou. Agora, os operários já iniciaram a estabilização física do claustro, que conta com um aporte específico de R$ 1,8 milhão.

A complexidade dos trabalhos se devem aos mais de três séculos de idade da construção e à quantidade de elementos artísticos acoplados, que renderam ao templo o apelido de “Igreja de Ouro”. Na época do acidente, vistorias da Defesa Civil de Salvador (Codesal) apontaram que o desgaste natural do tempo e falhas na manutenção estrutural foram os fatores determinantes para a tragédia, embora o prédio não apresentasse alertas prévios de risco iminente.

Segundo o superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, a restauração do patrimônio exige uma articulação compartilhada que hoje reúne o governo federal e a ordem franciscana, proprietária do imóvel.