Indústria musical cria selos de identificação para faixas que utilizam Inteligência Artificial

Por Redação 13/07/2026, às 19h00 - Atualizado às 18h07

Grandes organizações da indústria fonográfica  declararam,  em comunicado conjunto, a intenção de implementar uma rotulagem voluntária em faixas que utilizam inteligência artificial generativa (IAG). De acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), a Academia do Grammy e o sindicato de atores e radialistas SAG-AFTRA, três das entidades que assinam o anúncio, a proposta é que a rotulagem progrida conforme a tecnologia e as necessidades mudem.

A inserção de marcadores digitais nas plataformas de streaming deverá acontecer de forma semelhante aos selos que já indicam conteúdo explícito em músicas, mas com duas categorias distintas. Um bloco preto com a sigla “IA” em destaque indicará faixas criadas inteiramente por sistemas sintéticos de IA generativa. Já um bloco branco com a mesma sigla em tamanho menor servirá para sinalizar músicas que receberam apenas o auxílio de ferramentas de automação ao longo de seu processo de produção, preservando a autoria humana central.

Gerado por IA (rótulo de nível de faixa)

Assistido por IA (rótulo de nível de faixa)

A urgência por essa regulamentação voluntária responde a uma invasão de faixas geradas por inteligência artificial nos catálogos de streaming de música. O aplicativo Deezer revelou recentemente que composições puramente digitais já representam 44% de todos os novos uploads em sua base de dados, enquanto a Apple Music reportou que um terço das músicas recém-enviadas ao serviço são classificadas como “100% IA”. Esse volume desenfreado de uploads ameaça sufocar as produções tradicionais e confunde os usuários.

O presidente da Academia do Grammy, Harvey Mason Jr., reforçou que a medida é essencial para garantir que a intenção artística e a confiança mútua permaneçam no centro do mercado de entretenimento. Para as lideranças da indústria, dar aos artistas o direito e a ferramenta para declarar a natureza de sua criação fortalece um modelo de negócios economicamente sustentável. O grupo conjunto de organizações, no entanto, ainda não estipulou uma data para que as gigantes do streaming passem a aplicar os novos rótulos nas faixas.

“ A transparência é essencial, mas é apenas o começo. Os fãs merecem saber quando a música que ouvem é gerada ou assistida por IA, e os artistas merecem um mercado que reconheça, valorize e proteja a criatividade humana. Esta estrutura é um passo importante para fornecer aos ouvintes informações claras. O SAG-AFTRA continua a reforçar o princípio de que a IA não deve ser usada para substituir, imitar ou explorar artistas sem consentimento e compensação justa ”, declara Duncan Crabtree-Ireland, Diretor Executivo Nacional e Negociador Chefe do SAG-AFTRA .

O comunicado possui apoio da IFPI , RIAA, A2IM, WIN, IMPALA, The Grammys, SAG-AFTRA e Human Artistry Campaign.