Mais estudantes de escolas públicas avançam no ensino superior, aponta IBGE

Por Redação 14/06/2025, às 04h07 - Atualizado 13/06/2025 às 17h16

A presença de estudantes que cursaram o ensino médio integralmente em escolas públicas nas universidades brasileiras tem crescido de forma consistente. Dados da Pnad Educação 2024, divulgados nesta sexta-feira (13) pelo IBGE, mostram que 72,6% dos alunos de graduação em 2024 vieram da rede pública — percentual superior aos 67,8% registrados em 2016.

O avanço também é perceptível na pós-graduação: 59,3% dos estudantes de especialização, mestrado ou doutorado cursaram todo o ensino médio em escola pública, frente aos 52,2% observados em 2016.

Segundo a pesquisadora Adriana Beringuy, do IBGE, o crescimento está associado a políticas públicas como o sistema de cotas, ProUni e Fies, que facilitaram o acesso ao ensino superior para egressos da rede pública.

Educação superior cresce entre jovens

A pesquisa mostra que 31,3% dos brasileiros de 18 a 24 anos já concluíram ou estão cursando o ensino superior. Entre os que têm 25 anos ou mais, 20,5% finalizaram a graduação — um salto em relação aos 15,4% de 2016.

A proporção de pessoas com pelo menos a educação básica completa (ensino médio) também aumentou: passou de 46,2% em 2016 para 56% em 2024.

Escolaridade por cor, sexo e anos de estudo

O levantamento indica que as mulheres continuam com maior escolaridade média que os homens. Em 2024, elas tinham em média 10,3 anos de estudo, enquanto os homens registraram 9,9 anos.

Entre os brancos, a média de anos de estudo subiu de 10,1 para 11 anos no período. Já entre negros (pretos e pardos), o crescimento foi de 8,1 para 9,4 anos — avanço mais expressivo, embora a desigualdade persista.

Quanto à conclusão da educação básica, 63,4% dos brancos chegaram a esse nível, contra 50% dos negros. O percentual entre homens foi de 54% e entre mulheres, 57,8%.

Jovens que estudam e trabalham

A Pnad também analisou a rotina de jovens de 15 a 29 anos. Em 2024:

  • 16,4% estudavam e trabalhavam,
  • 39,9% só trabalhavam,
  • 25,3% apenas estudavam,
  • 18,5% não estudavam nem trabalhavam — grupo conhecido como “nem-nem”.

Esse último grupo representa 8,9 milhões de jovens, mas vem diminuindo nos últimos anos: era 22,4% em 2019 e caiu para 18,5% em 2024.

Abandono escolar

Entre os 8,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio em 2024, os principais motivos foram:

  • necessidade de trabalhar (42%),
  • falta de interesse (25,1%),
  • gravidez (23,4% entre mulheres),
  • afazeres domésticos ou cuidados com pessoas (9% das mulheres; 0,8% dos homens).

Em comparação com 2023, houve redução nesse grupo — eram 9,3 milhões no ano anterior.