“Não se deve transformar a dor de uma família em palanque”, diz Sesab ao rebater primeira-dama de Salvador

Por Redação 03/05/2026, às 12h03 - Atualizado às 12h30

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) respondeu às declarações da primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, sobre a situação de pacientes com dengue no município de Uauá. Em nota divulgada neste domingo (3), o órgão negou falhas na regulação e criticou a exposição do caso antes da conclusão das investigações.

“Não se deve transformar a dor de uma família em palanque antes da apuração técnica dos fatos”, afirmou a secretaria ao comentar o episódio.

De acordo com a Sesab, o óbito citado ainda passará por análise das instâncias competentes para confirmação da causa da morte, conforme os protocolos sanitários. A pasta também destacou que a regulação da paciente ocorreu dentro do tempo considerado adequado.

Segundo a nota, a solicitação foi registrada às 14h35 e teve encaminhamento definido às 18h13, em menos de quatro horas. O quadro clínico, no entanto, já era considerado grave no momento do atendimento, com sinais de alerta e manifestação hemorrágica. “Apesar da resposta do Estado, a paciente evoluiu a óbito. É uma perda que lamentamos profundamente”, informou.

A secretaria afirmou ainda que já vinha atuando em Uauá e em outras cidades com aumento de casos de dengue, com ações de apoio técnico, monitoramento epidemiológico e controle do mosquito transmissor.

Dados apresentados pelo órgão indicam que, até 27 de abril de 2026, a Bahia registrou 8.106 casos prováveis de dengue, uma redução de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025. Em Uauá, foram notificados 697 casos. Além disso, a Sesab citou medidas como reforço na vigilância, distribuição de testes, vacinação e uso de novas tecnologias no combate às arboviroses.

Na mesma nota, o órgão também fez críticas à gestão municipal de Salvador. “Como primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso deveria olhar primeiro para a própria capital, onde a Prefeitura ainda convive com baixa cobertura de agentes comunitários, atenção primária insuficiente e dificuldade históricade organizar a porta de entrada do SUS”, afirmou. A secretaria ressaltou que o enfrentamento à dengue começa nos municípios, com ações de prevenção e eliminação de focos do mosquito.

A primeira-dama havia cobrado, nas redes sociais, uma resposta do governo estadual diante de relatos de pacientes aguardando regulação no município. Em resposta a SESAB, Rebeca afirmou que sua manifestação teve como objetivo chamar atenção para a situação no interior. “Minha intenção foi exatamente essa: dar visibilidade ao que está acontecendo em Uauá. Não sou candidata a nenhum cargo político, falo como cidadã”, declarou. O caso segue sob investigação.