Nova geração de avós desafia estereótipos e envelhece com saúde e autonomia

Por Redação 24/07/2025, às 03h03 - Atualizado 23/07/2025 às 22h26

O Dia das Avós, celebrado em 26 de julho, tem ganhado novos significados à medida que o envelhecimento feminino deixa de ser associado à fragilidade e à inatividade. Em vez da figura tradicional da avó sentada à porta com agulhas de crochê, é cada vez mais comum encontrar mulheres acima dos 60 anos correndo maratonas, gerenciando negócios digitais, viajando pelo mundo e liderando projetos criativos. Essa transformação reflete mudanças sociais, maior acesso à informação sobre saúde e bem-estar e o aumento da expectativa de vida das mulheres no Brasil.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as brasileiras vivem, em média, 80,5 anos — sete a mais do que os homens. Embora esse aumento na longevidade seja relevante, especialistas alertam que qualidade de vida é tão importante quanto o tempo de vida.

A menopausa, ainda um marco significativo para muitas mulheres, pode trazer sintomas desafiadores como ondas de calor, alterações de humor, insônia, ganho de peso e queda da libido. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), mais de 80% das mulheres relatam impactos na qualidade de vida durante esse período. No entanto, práticas como atividade física regular, alimentação equilibrada, manejo do estresse e, quando indicado, reposição hormonal, são estratégias reconhecidas para atravessar essa fase com mais bem-estar.

Para o ginecologista Jorge Valente, com 26 anos de atuação em saúde metabólica e ginecologia endócrina, o envelhecimento não precisa significar perda de vitalidade. “A menopausa não marca o fim da vida ativa. Com suporte médico e hábitos saudáveis, pode ser o início de uma nova fase, cheia de possibilidades”, afirma.

Um exemplo dessa realidade é a artesã e empreendedora Rossela Oliveira, de 64 anos, moradora de Salvador. Avó de três, ela divide os dias entre exercícios, leitura, aulas de inglês, administração da própria loja de acessórios e passeios de bicicleta aos fins de semana. Também toca piano e acompanha os netos em corridas de rua. “Sempre acreditei que envelhecer bem é resultado de escolhas diárias. Quero viver com qualidade aos 70, 80, 90 anos”, diz.