Ogã Elias Conceição explica organização e condução do presente de Iemanjá

Por Redação 02/02/2026, às 16h47 - Atualizado às 15h47

O ogã Elias Conceição, do Terreiro Olufunjá, destacou a importância do cuidado e da organização religiosa na condução do presente de Iemanjá durante a festa realizada nesta segunda-feira (2). Pelo segundo ano consecutivo, o terreiro ficou responsável tanto pelo presente de Oxum, entregue no Dique do Tororó, quanto pela condução da parte sacra do presente dedicado a Iemanjá. “Somos responsáveis principalmente pela parte religiosa, a parte mais profunda desse presente”, afirmou.

Segundo Elias, o presente de Iemanjá chegou ao local ainda na madrugada, por volta das 5h, acompanhado de rituais tradicionais. “Chegou com toda a queima de fogos, com o xerê que se faz para os orixás, para chamar as energias prometidas”, explicou. De acordo com ele, o momento marca a abertura espiritual dos festejos e a preparação para a entrega final ao mar.

Durante todo o dia, os rituais seguem sob a condução da Mãecinha de Nanã, ialorixá do terreiro. “Ela fica abençoando os presentes das pessoas, faz a parte sacra e aguardamos até o momento da condução”, disse o ogã. O encerramento do culto acontece no fim da tarde, quando, após as rezas e cerimônias, o presente é levado às embarcações com o apoio dos pescadores da colônia Z1.

Elias explicou que a entrega do presente respeita critérios espirituais específicos, definidos pelas tradições de matriz africana. “Nada que se faz para um orixá se faz sem pergunta. Eles têm preferências, gostos e locais específicos”, afirmou.

Por fim, o ogã ressaltou a importância da harmonia entre natureza, tempo e espiritualidade para que o ritual aconteça de forma adequada. “Tem que haver uma sincronia: maré, horário, lua. Se algo retorna, é preciso observar e consultar a espiritualidade para entender o que aconteceu”, concluiu, destacando o respeito às forças da natureza e aos ensinamentos ancestrais.