Durante um discurso no Vaticano na sexta-feira (9), Papa Leão XIV condenou o uso da força militar como ferramenta de política internacional. Ao se dirigir a embaixadores acreditados perante a Santa Sé, o Papa fez um alerta sobre o crescimento de uma atitude belicosa no cenário mundial e sobre o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais.
Em seu discurso, o papa declarou que “a guerra voltou à moda e o entusiasmo pela guerra está se espalhando”, expressando preocupação com a substituição do diálogo por medidas fundamentadas na força. De acordo com ele, “uma diplomacia que incentiva o diálogo e procura o acordo entre todos os envolvidos está sendo substituída por uma diplomacia fundamentada na força”.
Leão XIV também destacou que essa dinâmica coloca em risco a ordem global estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. “Não se busca mais a paz como um bem desejável em si, mas sim por meio das armas, como um meio para garantir a própria dominação”, declarou.
Ao tratar da situação na Venezuela, o Papa pediu que os governos “respeitem a vontade” do povo venezuelano e destacou a importância de “proteger os direitos humanos e civis” no país. O evento contou com a presença dos embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela. Ao abordar o assunto, o papa não mencionou líderes políticos pelo nome.
Além dos conflitos armados, o discurso criticou práticas como aborto, eutanásia e gestação de substituição. O papa também declarou que a liberdade de expressão estaria em declínio nos países ocidentais, citando o aparecimento de uma “nova linguagem ao estilo orwelliano”, que, segundo ele, acaba marginalizando aqueles que não aderem a certas ideologias.
A declaração foi uma das mais contundentes do pontífice desde sua eleição em maio de 2025, e aconteceu no âmbito das relações diplomáticas que a Santa Sé mantém com 184 países.