O presidente Donald Trump renovou suas críticas à Otan nesta quarta-feira (8), logo após um encontro a portas fechadas na Casa Branca com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte. Em uma publicação direta em sua rede social, a Truth Social, o presidente disparou contra a falta de suporte dos aliados europeus no cenário militar recente: “A Otan não estava lá quando precisamos deles — e não estará se precisarmos novamente. Lembrem-se da Groenlândia, aquele grande pedaço de gelo mal administrado!!!”, postou Trump. O comentário reflete a crescente insatisfação de Washington com o posicionamento da aliança durante a ofensiva contra o Irã, iniciada em fevereiro e atualmente sob trégua.
Embora Mark Rutte tenha descrito a conversa como “franca e aberta” e destacado a colaboração logística de diversos países europeus, a Casa Branca manteve um tom de confronto. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, reforçou as críticas presidenciais, afirmando que a Otan “falhou ao ser posta à prova” e deu as costas ao povo americano nas últimas seis semanas. Diante dessa crise diplomática, o jornal The Wall Street Journal revelou que a administração Trump já elabora um plano para punir países considerados “prejudiciais” aos interesses dos EUA. A estratégia incluiria o fechamento de bases na Alemanha ou Espanha e a transferência de tropas para nações que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia.
O secretário-geral da Otan tenta agora recorrer à sua relação pessoal com Trump para mitigar os danos e evitar uma possível retirada dos Estados Unidos da aliança, tema que já foi ventilado pela assessoria da Casa Branca. Enquanto Rutte destaca o aumento dos gastos com defesa aprovado pelos membros europeus em 2025, o presidente americano foca na retaliação política e militar imediata. A pressão de Trump por uma divisão de encargos mais agressiva coloca em xeque a estrutura da organização, que desde 1949 tem nos Estados Unidos o seu pilar central de financiamento e logística.