Quedas ameaçam qualidade de vida dos idosos, mas prevenção simples faz diferença

Por Redação 28/04/2025, às 05h32 - Atualizado 27/04/2025 às 21h58

Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, a população acima de 65 anos já representa mais de 10% do total, segundo dados do último Censo do IBGE. Porém, junto ao envelhecimento, cresce também um dos principais riscos para a qualidade de vida nessa faixa etária: as quedas. De acordo com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), cerca de um terço dos idosos com mais de 65 anos sofre quedas todos os anos, índice que salta para 40% entre aqueles com mais de 80 anos. A maioria desses acidentes ocorre dentro da própria casa.

Segundo a fisioterapeuta Raquel Gonçalves, doutora em Ciências da Reabilitação pela USP, medidas simples no ambiente doméstico, como a remoção de tapetes soltos, instalação de barras de apoio em banheiros e o uso de calçados antiderrapantes, ajudam a reduzir os riscos. No entanto, ela alerta que a prática regular de atividade física é igualmente essencial e muitas vezes negligenciada.

“A pessoa ativa envelhece de forma diferente. Exercícios físicos evitam a sarcopenia — perda de massa muscular — que começa ainda aos 30 anos. Quem mantém o corpo fortalecido ao longo da vida, mesmo que sofra uma queda, tem uma recuperação muito mais fácil”, explica Raquel.

A especialista reforça que nunca é tarde para começar. Mesmo idosos que não praticaram atividades ao longo da vida podem se beneficiar com exercícios de equilíbrio e força, supervisionados por fisioterapeutas, familiares ou cuidadores.

Além da prevenção, Raquel destaca a importância da continuidade dos exercícios após quedas e reabilitações: “Não basta melhorar e parar. É fundamental manter a rotina de exercícios para preservar a força muscular e evitar novos episódios”, afirma.

Segundo ela, a imobilização prolongada após fraturas pode levar a uma rápida perda de autonomia e impactar negativamente a saúde mental do idoso. Por isso, a reabilitação física e o estímulo contínuo à atividade são fatores-chave para garantir um envelhecimento mais saudável e seguro.