Rombo de R$ 2,6 bilhões no Correios! Demonstrações financeiras apontam prejuízo bilionário

Por Redação 09/05/2025, às 08h33 - Atualizado às 08h34

Os Correios fecharam o ano de 2024 com um prejuízo bilionário de R$ 2,6 bilhões, segundo as demonstrações financeiras publicadas nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial da União. É o primeiro resultado negativo dessa magnitude desde 2016 e é um salto grande se comparado ao rombo de R$ 597 milhões registrado no ano anterior, esse valor após ajustes contábeis, subiu para R$ 633 milhões.

De acordo com os dados divulgados, apenas 15% das 10.638 unidades de atendimento operaram com superávit, que é quando se tem o resultado de mais ganhos do que gastos, ou seja menos da metade dão lucro e não prejuízo para a empresa. Ainda assim, a estatal defende a importância de sua capilaridade nacional. “Ainda que 85% das unidades sejam consideradas deficitárias, os Correios garantem o acesso universal de todas e todos aos serviços postais, com tarifas justas, em cada um dos 5.567 municípios atendidos”, afirmou a empresa.

Entre os principais fatores apontados para o rombo estão:

  • A queda de receita com prestação de serviços (que caiu de R$ 19,2 bilhões em 2023 para R$ 18,9 bilhões em 2024, o menor patamar desde 2020);
  • O aumento expressivo dos custos operacionais, que subiram R$ 716 milhões no período, atingindo R$ 15,9 bilhões;
  • As despesas com pessoal cresceram 7,3%, chegando a R$ 10,3 bilhões, impactadas principalmente por um Acordo Coletivo de Trabalho (R$ 550 milhões);
  • E reajustes de benefícios (R$ 41 milhões).

Além disso, as despesas gerais e administrativas alcançaram o maior valor da história da estatal, com R$ 4,7 bilhões em 2024. O resultado financeiro também contribuiu negativamente, o saldo positivo de R$ 44 milhões em 2023 foi revertido a prejuízo em 2024, com o rombo já citado de R$ 379 milhões.

O relatório da administração aponta a migração de parte da demanda para operações logísticas próprias de grandes varejistas como Shein, Aliexpress e Amazon fazem com que percam espaço e contribua para o prejuízo atual da empresa. “Os operadores avançaram na estruturação de operações próprias e, com isso, iniciou-se, também, um movimento de migração de carga para esses canais”, registra o documento.

Apesar do prejuízo, os Correios reforçam que pretendem manter o ritmo de investimentos, foram R$ 830 milhões aplicados em 2024, totalizando R$ 1,6 bilhão desde a atual gestão. Boa parte dos recursos foi direcionada à modernização da frota, com foco em sustentabilidade. Somente em 2024, foram adquiridos 50 furgões elétricos, 3.996 bicicletas cargo com baú e 2.306 bicicletas elétricas. A empresa ainda comprou 1.502 veículos para renovação da frota existente. “A sustentabilidade continuará a ser tema central em nosso dia a dia. Esperamos evoluir ainda mais em nossos propósitos de caráter social e ambiental”, declarou a estatal.

Para enfrentar a crise, os Correios buscam novas fontes de receita, como o lançamento de um marketplace próprio e a expansão da rede de pontos de coleta e “Correios Modulares”, que são espaços em lojas parceiras destinados à entrega e retirada de encomendas. “Somos o primeiro e único marketplace brasileiro capaz de realizar entregas, com estrutura própria, em qualquer lugar do país, democratizando o acesso ao comércio digital”, afirmou o presidente da empresa.

Na abertura do relatório de administração, os Correios reforçaram sua posição contrária à privatização e adotaram um discurso de valorização do caráter público da instituição: “Os Correios são indispensáveis porque são públicos. Em um País continental como o Brasil, só uma empresa gigante com vocação social é capaz de conectar pessoas, viabilizar oportunidades de negócios e promover cidadania”.