Safra brasileira encerra 2024 com queda de 7,2% na produção, aponta IBGE

Por Redação 15/01/2025, às 02h32 - Atualizado 14/01/2025 às 18h06

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas terminou 2024 com uma produção de 292,7 milhões de toneladas, representando um recuo de 7,2% em relação ao volume recorde de 2023, que atingiu 315,4 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).

Essa foi a primeira queda na produção agrícola brasileira desde 2021, quando houve um recuo de 0,4%. Segundo o IBGE, as condições climáticas adversas foram o principal fator responsável pela redução na produtividade, apesar do aumento de 1,6% na área colhida, que alcançou 79 milhões de hectares.

Carlos Guedes, gerente de agricultura do IBGE, destacou que atrasos no plantio e condições climáticas extremas nas regiões Centro-Oeste e Sul prejudicaram a produção. “No Sul, o excesso de chuvas causou enchentes, destruindo lavouras de arroz, soja e milho da primeira safra. Já na segunda safra, as altas temperaturas e a falta de chuvas afetaram o milho e o trigo”, explicou.

A soja permaneceu como o principal produto agrícola brasileiro em 2024, com produção estimada em 144,9 milhões de toneladas, seguida pelo milho, com 114,7 milhões, e pelo arroz, com 10,6 milhões. Juntos, esses três produtos representaram 92,3% da produção nacional e 87,2% da área colhida.

O Mato Grosso se destacou como o maior estado produtor, responsável por 31,4% da produção nacional, seguido por Paraná (12,8%), Rio Grande do Sul (11,8%) e Goiás (11,0%). Entre as regiões, o Centro-Oeste liderou com 144,6 milhões de toneladas (49,4% do total), seguido pelo Sul (26,8%) e Sudeste (8,8%).

Prognóstico

O IBGE também apresentou projeções otimistas para 2025, estimando uma produção de 322,6 milhões de toneladas, um aumento de 10,2% em relação a 2024. O crescimento deverá ser impulsionado pela recuperação da safra de soja, que enfrentou adversidades significativas em 2024.

“O atraso no plantio em algumas regiões foi compensado pelo uso de alta tecnologia e pelas condições climáticas favoráveis na maior parte do país. A expectativa é de que chuvas satisfatórias beneficiem as lavouras em campo, como a soja e o milho de primeira safra”, explicou Carlos Guedes.

A projeção de recuperação em 2025 reforça a importância da agricultura como pilar da economia brasileira, mas também destaca a necessidade de investimentos em tecnologias de plantio e estratégias de adaptação às mudanças climáticas. O desempenho da próxima safra será decisivo para consolidar a retomada do setor após um ano desafiador.