Salete Maria defende combate ao assédio e criação de guarda universitária em campanha à reitoria

Por Redação 14/05/2026, às 17h00 - Atualizado às 16h14

Por Maria Eduarda Moura 

A professora Salete Maria, candidata à reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirmou que, caso eleita para o quadriênio 2026-2030, terá como prioridades a democratização da gestão universitária, o fortalecimento de políticas de cuidado e o enfrentamento a casos de assédio e violência de gênero dentro da instituição.

Em entrevista ao Taktá, a candidata disse que a universidade ainda enfrenta problemas relacionados à participação da comunidade acadêmica nas decisões internas e criticou o que chamou de falta de transparência na administração da UFBA.

Segundo ela, uma das primeiras medidas da gestão seria transmitir ao vivo as reuniões do Conselho Universitário (Consuni) pelos canais institucionais da universidade.

“A UFBA ainda engatinha em termos de participação, escuta e diálogo. Queremos democratizar a democracia universitária e implementar políticas de cuidado com as pessoas e com o patrimônio”, afirmou.

A candidata também defendeu uma política institucional voltada para acolhimento de vítimas de assédio moral e sexual, além de ações de saúde mental direcionadas especialmente para mulheres da comunidade acadêmica.

De acordo com Salete, denúncias de violência de gênero e perseguições internas passaram a ganhar visibilidade apenas recentemente, após pressão de docentes e estudantes.

“Não se faz ensino, pesquisa ou extensão com pessoas adoecidas, perseguidas e desestimuladas”, declarou.

Segurança e proposta de guarda universitária

Entre as propostas apresentadas, Salete afirmou que sua chapa é a única a defender a criação de uma guarda universitária na UFBA, inspirada em modelos adotados em outras universidades brasileiras e latino-americanas.

Segundo a candidata, a proposta prevê atuação voltada não apenas para proteção patrimonial, mas também para a segurança física da comunidade universitária.

Ela citou registros de assaltos e episódios de violência nos arredores dos campus, especialmente nas regiões do Canela e do Vale do Canela, em Salvador.

“A universidade já registrou casos de roubos, sequestros e violência no entorno dos campus. A guarda universitária teria foco no cuidado com as pessoas”, afirmou.

A proposta inclui acompanhamento de vítimas em registros de ocorrência, integração entre os campi e uso de tecnologias de monitoramento e vigilância.

Críticas à atual gestão e disputa eleitoral

Durante a entrevista, Salete fez críticas às gestões anteriores da universidade e afirmou que a UFBA é comandada desde 2014 por um mesmo grupo político.

Ela também criticou a predominância masculina nas chapas que disputaram a administração central da universidade ao longo dos últimos anos.

Segundo a candidata, sua campanha trouxe para o debate temas como assédio, saúde mental e participação feminina nos espaços de poder da universidade.

“Historicamente, as mulheres foram colocadas apenas como coadjuvantes. Nossa candidatura rompe com essa lógica”, afirmou.

A professora também questionou o modelo eleitoral aprovado pelo Conselho Universitário para a escolha da nova reitoria.

Ela criticou o prazo da campanha, o voto presencial em cédulas de papel e a exclusão de estudantes da educação a distância do processo eleitoral.

Segundo Salete, o modelo pode resultar em questionamentos judiciais sobre a legitimidade da eleição.

Assistência estudantil e permanência

A candidata também defendeu a ampliação das políticas de assistência estudantil, incluindo aumento de bolsas de permanência, pesquisa e extensão.

Entre as propostas, Salete citou melhorias no Restaurante Universitário (RU), reforço no monitoramento da qualidade da alimentação e maior participação da comunidade acadêmica na fiscalização dos serviços.

Ela mencionou ainda episódios recentes envolvendo denúncias sobre problemas em restaurantes universitários da UFBA.

“A gente quer ampliar o acesso à alimentação e garantir segurança alimentar para os estudantes”, disse.

Sobre moradia estudantil, a candidata afirmou que pretende buscar recursos para recuperação da residência universitária feminina localizada no Canela, que, segundo ela, enfrenta problemas estruturais.

Inclusão e valorização de grupos historicamente vulneráveis

A candidata afirmou que pretende fortalecer políticas afirmativas e ampliar ações voltadas para mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas e população LGBTQIA+.

Salete também destacou propostas direcionadas à população com mais de 60 anos vinculada à universidade, incluindo estudantes, docentes e técnicos-administrativos.

Segundo ela, o objetivo é ampliar políticas de valorização da memória e inclusão desse público na vida universitária.

Perfil da candidata

Professora da Universidade Federal da Bahia, Salete Maria disputa a reitoria defendendo pautas ligadas à democratização da gestão universitária, combate ao assédio, saúde mental e ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.

A eleição da UFBA para o quadriênio 2026-2030 será realizada nos dias 20 e 21 de maio, com votação em cédulas de papel. O processo envolverá estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos da universidade.