Volta às aulas: choro é comum, mas exige atenção

Por Redação 19/02/2026, às 11h05 - Atualizado às 09h12

Por Cíntia Santos

O início do ano letivo costuma ser um período de mudanças para crianças e responsáveis. Além da nova rotina, o retorno às aulas envolve separação, construção de vínculos e adaptação a um ambiente diferente. Para a pedagoga Raiana Pimentel, esse processo precisa ser entendido como uma etapa natural.

“Para a criança, é um espaço novo, adultos novos, rotina diferente e, muitas vezes, a primeira separação mais longa da família. Para os pais também não é simples. A adaptação não é só da criança, é da família inteira”, explica.

Raiana destaca que o choro nos primeiros dias é comum e não significa, necessariamente, sofrimento extremo. Ela também alerta que voltar para pegar a criança no colo depois da despedida pode atrapalhar. “Isso pode transmitir a mensagem de que aquele ambiente não é seguro e prolongar o período de adaptação”, afirma.

Não existe idade ideal

Uma das dúvidas mais frequentes é sobre a idade certa para iniciar na creche ou escola. Segundo a pedagoga, não há uma regra única.

“Não existe uma idade perfeita igual para todos. A partir dos 2 anos, a criança já aproveita muito as interações sociais, mas antes disso também pode ser saudável, desde que seja um ambiente acolhedor. Mais importante que a idade é como essa entrada é conduzida”, pontua.

Desafios para crianças atípicas

O processo pode ser mais delicado para crianças atípicas, que costumam precisar de previsibilidade e mais tempo para se sentirem seguras.  “Muitas precisam de rotina estruturada. Barulho, excesso de estímulos, mudanças inesperadas e dificuldades na comunicação podem tornar esse começo mais difícil”, diz.

Sinais de alerta

Raiana explica que um desconforto inicial é esperado, mas é preciso atenção quando o sofrimento se prolonga.  “Choro muito intenso por semanas, regressões, alterações grandes no sono, no apetite ou comportamentos muito diferentes do habitual podem ser sinais de que algo precisa ser ajustado”, alerta.

Escola e família

Para a especialista, a escola tem papel central na adaptação. “A criança precisa se sentir segura antes de aprender. Cabe à escola criar vínculo, organizar rotina clara, usar recursos visuais quando necessário e manter diálogo com a família”, afirma.

Em casa, os pais também podem ajudar mantendo horários organizados e transmitindo segurança. “A criança sente quando os adultos estão tranquilos”, reforça.

A pedagoga lembra ainda que a ansiedade da família interfere no processo. “Se os pais demonstram medo ou desconfiança, a criança pode entender que aquele lugar não é seguro. Por isso, cuidar da própria ansiedade também é importante”, completa.

Por fim, Raiana destaca que dificuldades de adaptação podem ocorrer em outras fases escolares, como mudança de turma ou de escola. A orientação principal, segundo ela, é respeitar o tempo da criança e manter comunicação aberta com a instituição. “Cada criança é única. Quanto mais a escola souber sobre ela, mais acolhedor será esse processo”, conclui.