Paralisação nacional chega a Salvador e deixa restaurantes sem entregadores

Por Redação 01/09/2026, às 14h45 - Atualizado às 14h46

A paralisação nacional dos entregadores de aplicativos começou a alterar a rotina de serviços em Salvador nesta terça-feira (1º). Na capital baiana, a mobilização teve início por volta das 8h, quando dezenas de trabalhadores se concentraram em diferentes regiões da cidade e deixaram de aceitar corridas pelas plataformas.

O movimento integra o Breque Nacional dos Apps, realizado simultaneamente em várias cidades brasileiras. Entre as principais reivindicações estão o aumento da remuneração, melhores condições para trabalhar e medidas que garantam mais segurança aos profissionais.

A suspensão das entregas também já causa reflexos em restaurantes de Salvador que dependem dos aplicativos para atender os clientes. Informações compartilhadas em grupos nas redes sociais apontam que alguns estabelecimentos chegaram a fechar as portas nesta terça-feira devido à ausência de entregadores.

Em outros locais, os restaurantes continuam funcionando normalmente, mas enfrentam dificuldades para concluir os pedidos feitos pelos clientes. Com poucos ou nenhum profissional disponível para realizar as entregas, algumas solicitações acabam não sendo finalizadas.

Uma das principais demandas da categoria é a definição de uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega realizada em trajetos de até 4 quilômetros. Para distâncias superiores, os trabalhadores defendem o pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro excedente.

Os entregadores também contestam a modalidade “+Entregas”, que determina regiões e períodos específicos para atuação. A categoria ainda critica os bloqueios realizados pelos aplicativos e cobra mais transparência nos critérios utilizados pelas empresas, além do fim de punições consideradas arbitrárias.

Outro ponto de discordância é o PLP 152/25, proposta apoiada pelo governo Lula. Os trabalhadores afirmam que o texto não resolve a precarização da atividade e não garante direitos como férias e 13º salário.

A preocupação com acidentes de trabalho também está entre as razões que levaram os entregadores às ruas. Dados do Ministério da Saúde encaminhados ao Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam 34.211 acidentes envolvendo entregadores motociclistas e ciclistas entre 2023 e julho de 2026.

Somente no ano de 2025, foram registradas 11.579 notificações. O número representa um aumento de 34,92% em relação a 2023.

O levantamento, no entanto, pode não refletir todos os acidentes ocorridos com profissionais da categoria. Isso ocorre devido à possibilidade de subnotificação, especialmente entre trabalhadores informais ou que não possuem vínculo empregatício direto com as empresas.