Pix pode ser usado na Europa? BC e BCE estudam integração de pagamentos

Por Redação 03/09/2026, às 16h30 - Atualizado às 15h26

O Pix pode ganhar uma nova função para brasileiros que viajam à Europa. O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) discutem uma possível integração entre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e o TIPS (Target Instant Payment Settlement), plataforma europeia de pagamentos imediatos.

A proposta ainda está em uma fase inicial. Segundo documentos do BCE, o projeto está na etapa de pré-investigação, que envolve avaliações jurídicas, técnicas, de segurança e operacionais. Essa primeira fase tem previsão de ser concluída até setembro.

O BCE confirmou que existe uma investigação preliminar sobre uma possível conexão entre os dois sistemas. O Banco Central do Brasil, por sua vez, não divulgou informações sobre as negociações.

Caso a integração seja aprovada, brasileiros poderão utilizar suas próprias contas bancárias para fazer pagamentos em estabelecimentos comerciais europeus. Uma das possibilidades estudadas é o uso do QR Code do Pix em terminais de pagamento no continente.

Na prática, o consumidor poderia escanear o código utilizando o aplicativo do banco brasileiro e concluir a compra. A transação seria processada com conversão automática da moeda.

Para Thiago Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil (ANBCB), um dos pontos que deverão ser avaliados é a taxa de câmbio aplicada nas operações.

“O sistema vai fazer a conversão instantânea e fazer o pagamento. Provavelmente, você vai ter alguns custos envolvidos na transação, que têm que ficar explícitos”, explicou.

A eventual integração também poderá beneficiar turistas estrangeiros que estiverem no Brasil e possuírem contas em instituições financeiras de outros países.

Nesse cenário, o estabelecimento brasileiro disponibilizaria um QR Code do Pix. O visitante poderia escanear o código pelo aplicativo de sua instituição financeira no exterior e realizar o pagamento.

A transação seria convertida para reais e o valor seria repassado ao estabelecimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a instituição estrangeira faria o débito na conta do consumidor em sua moeda local, considerando a cotação utilizada na operação.

O cronograma divulgado pelo BCE prevê novas etapas de avaliação após a conclusão da pré-investigação. Entre outubro de 2026 e março de 2027, poderá ocorrer uma fase de exploração, na qual serão analisadas a viabilidade do projeto e suas principais etapas.

Uma eventual implementação está prevista para o período entre abril de 2027 e junho de 2028, dependendo da aprovação dos dois bancos centrais.

A previsão é de que a integração alcance uma fase de operação técnica em novembro de 2027 e possa chegar à etapa operacional em junho de 2028.

O calendário, entretanto, ainda pode sofrer alterações conforme os estudos avancem, especialmente em relação aos requisitos regulatórios, ao formato definitivo do projeto e à coordenação com instituições participantes do mercado.

Também está prevista para outubro uma visita de um comitê formado por chefes-adjuntos do Banco Central ao BCE. O encontro poderá representar um novo avanço nas tratativas entre as duas instituições.