Caso Dark Horse: PF aponta ‘circuito fechado’ para dificultar rastreamento de emendas

Por Redação 11/09/2026, às 06h43 - Atualizado às 06h43

A investigação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, identificou uma rede de empresas e entidades que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para distribuir recursos de emendas parlamentares e dificultar o rastreamento dos valores.

A operação, deflagrada nesta quinta-feira (10), tem entre os alvos a produtora Karina Gama e o deputado federal Mário Frias (PL-SP). Também foram realizadas buscas em duas entidades ligadas à produtora: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as medidas. A ação não prevê prisões, mas apenas mandados de busca e apreensão. A Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção de Dark Horse, não está entre os alvos.

Segundo a decisão judicial, os recursos das emendas indicadas por Frias percorreriam um “circuito fechado” entre empresas e entidades. Para a PF, a circulação dos valores teria como finalidade fragmentar os recursos e dificultar a identificação de sua origem e destino.

Os investigadores afirmam que as movimentações não apresentavam características de relações comerciais independentes e economicamente justificadas. A suspeita é de que diferentes pessoas jurídicas estariam conectadas por interesses comuns e por um fluxo financeiro coordenado.

A PF também aponta indícios de que os contratos e as transferências foram organizados de forma articulada entre empresas formalmente independentes. A investigação busca esclarecer o destino dos recursos públicos e a possível relação entre as entidades beneficiadas pelas emendas, as empresas contratadas e a produção do filme.