Salvador e Região Metropolitana registraram 82 tiroteios em agosto, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado. Ao todo, 75 pessoas foram baleadas, sendo 60 mortas e 15 feridas.
O mês também teve o maior número de vítimas de balas perdidas em quase um ano. Quatro pessoas foram atingidas e todas sobreviveram. O último registro com o mesmo número havia sido em setembro de 2025.
Das quatro vítimas, três foram baleadas durante ações ou operações policiais, o equivalente a 75% dos casos.
Um dos episódios aconteceu em 8 de agosto, na Saramandaia, em Salvador. Um homem de 66 anos, conhecido como Zé Carlos, foi atingido na perna enquanto saía de casa para trabalhar, durante uma perseguição seguida de tiroteio.
Perseguições
Em agosto, foram registrados 12 tiroteios durante perseguições, sendo 11 deles durante ações ou operações policiais. O número representa 92% dos casos.
Segundo o Fogo Cruzado, esse tipo de ocorrência aumenta o risco de pessoas que não estão envolvidas nos conflitos serem atingidas.
Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, os dados mostram que a violência armada também afeta pessoas durante atividades cotidianas.
Além dos casos de bala perdida, agosto registrou um feminicídio e uma tentativa de feminicídio na região. No dia 7, a professora Camila Fernanda de Souza foi morta a tiros dentro do apartamento onde morava, no Doron, em Salvador.
Tiroteios por município
- Salvador: 65 tiroteios, 47 mortos e 10 feridos
- Lauro de Freitas: 4 tiroteios e 4 mortos
- Simões Filho: 4 tiroteios, 6 mortos e 1 ferido
- Camaçari: 3 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
- Candeias: 2 tiroteios e 2 feridos
- Dias D’Ávila: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
- São Francisco do Conde: 1 tiroteio e 1 morto
- São Sebastião do Passé: 1 tiroteio, sem vítimas
Bairros com mais registros
Em Salvador, Jardim Nova Esperança, Mata Escura, Paripe e São Cristóvão tiveram quatro tiroteios cada.
Também aparecem entre os bairros mais afetados Areia Branca, IAPI e São Marcos, com três ocorrências cada.