Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios revela que 65% das prefeituras baianas estão desabastecidas de imunizantes, colocando em risco a proteção das crianças. Pelo menos 110 cidades da Bahia enfrentam a escassez de vacinas essenciais para crianças, conforme apontado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em levantamento realizado entre 26 de novembro e 12 de dezembro de 2024.
A pesquisa ouviu 169 dos 417 municípios baianos, mostra que mais de 65% das prefeituras estão com estoques baixos de imunizantes, o que coloca em risco a cobertura vacinal e a saúde pública.
As vacinas contra doenças como varicela (catapora), febre amarela, meningite C, DTP (difteria, tétano e coqueluche) e Covid-19 para crianças são as mais reportadas como ausentes nos postos de saúde. A falta dessas vacinas é particularmente alarmante, já que elas são essenciais para a proteção contra doenças graves, muitas das quais já haviam sido controladas ou até erradicadas no Brasil.
A situação reflete uma realidade preocupante que, segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, é resultado de falhas na distribuição de imunizantes pelo Governo Federal. Ele atribui o desabastecimento à dificuldade logística e aos problemas na fabricação das vacinas.
Em setembro de 2024, a Bahia registrou o maior número de casos de catapora do Brasil, o que torna a falta da vacina contra a doença ainda mais crítica.
A vacinação contra varicela é recomendada para crianças a partir de 1 ano e para populações específicas, como indígenas e profissionais de saúde. No entanto, 84 cidades baianas relataram a ausência desse imunizante, uma situação que preocupa especialistas em saúde.
Embora o Ministério da Saúde tenha se pronunciado, negando que haja desabastecimento generalizado no país, reconheceu a existência de problemas pontuais na distribuição. A pasta afirmou que o estoque de vacinas contra varicela, por exemplo, deve ser normalizado no início de 2025, após a assinatura de contratos com novos fornecedores. A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também confirmou que houve dificuldades no abastecimento de algumas vacinas durante o ano de 2024.
A situação reflete uma tendência preocupante em todo o Brasil, com outros estados, como Santa Catarina, Ceará e Espírito Santo, também enfrentando altos índices de falta de imunizantes. A baixa cobertura vacinal é apontada como um fator crítico para o retorno de doenças antes controladas, como sarampo e caxumba.
A vacinação é um direito fundamental da população e um dever do Estado, e a falta de acesso a imunizantes coloca em risco a saúde de milhares de crianças e, por consequência, toda a sociedade. A continuidade do desabastecimento exige ações urgentes para garantir a proteção da população, especialmente as mais vulneráveis.
O Ministério da Saúde explicou que a falta de vacinas se deve a problemas relacionados à fabricação e à logística, apontando que a pasta tem trabalhado para resolver esses impasses. Contudo, especialistas alertam que a situação precisa ser tratada com mais urgência, uma vez que as consequências para a saúde pública podem ser graves.
A CNM, por sua vez, reforça a importância de uma resposta rápida do Governo Federal e dos estados para evitar que a falta de vacinas continue afetando a saúde das crianças e ampliando os riscos de surtos de doenças evitáveis.