Intenção de compra das famílias sobe em janeiro, mas segue abaixo de 2024

Por Redação 31/01/2025, às 05h34 - Atualizado 30/01/2025 às 17h53

O Índice de Intenção de Compra das Famílias (ICF) registrou um leve crescimento de 0,2% em janeiro, alcançando 104,9 pontos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do aumento em relação a dezembro de 2024, o indicador teve uma queda de 0,9% na comparação anual com janeiro de 2024.

O ICF mede o potencial de consumo do comércio, refletindo o nível de satisfação dos consumidores. O índice, que varia de 0 a 200 pontos, aponta insatisfação quando fica abaixo de 100 e satisfação quando supera essa marca. Com a pontuação atual, a CNC avalia que as famílias ainda demonstram confiança no futuro, apesar dos desafios econômicos.

A pesquisa revelou diferenças na intenção de consumo entre faixas de renda e gêneros. Enquanto as famílias com renda acima de 10 salários mínimos (R$ 15.180) reduziram o consumo em 0,2%, aquelas com menor poder aquisitivo avançaram 0,3%.

Entre as mulheres, a intenção de consumo caiu 1,4% em relação a janeiro de 2024, enquanto entre os homens a queda foi de 0,4%. A CNC aponta que essa diferença reflete restrições no acesso ao crédito e preocupações com o mercado de trabalho.

O ICF é calculado com base em questionários aplicados a 18 mil brasileiros e analisa sete indicadores de consumo. Entre eles, Emprego Atual, Renda Atual e Acesso ao Crédito foram os únicos que apresentaram queda. O Acesso ao Crédito, especificamente, sofreu a maior redução, de 0,8%, demonstrando que os juros elevados ainda impactam o consumo.

“Com juros altos, o crédito se torna mais caro e restrito, reduzindo o potencial de compra das famílias e afetando diretamente o comércio”, explica o economista da CNC, João Marcelo Costa.

Por outro lado, o indicador que avalia a percepção dos consumidores sobre o Momento para o Consumo de Bens Duráveis subiu 1% em relação a dezembro. No entanto, com 72,4 pontos, o número ainda indica insatisfação.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho continua sendo um fator de otimismo para os consumidores. Apesar da leve queda de 0,3%, o indicador Emprego Atual segue como o subindicador mais bem avaliado do ICF, com 126,3 pontos, refletindo confiança na estabilidade profissional.

Já o indicador de Perspectiva Profissional cresceu 0,3% em janeiro, chegando a 114,2 pontos, indicando expectativa de melhora na economia nos próximos meses. No entanto, na comparação anual, houve uma queda de 2,9%, sendo que, entre as mulheres, o recuo foi ainda maior, de 4,1%, contra 2% entre os homens.

A CNC atribui essa diferença aos desafios adicionais enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, que historicamente as levam a uma postura mais cautelosa diante de cenários econômicos incertos. “Muitas famílias brasileiras têm mulheres como principais provedoras, o que justifica a prudência maior em relação ao consumo”, analisa Costa.