Força-tarefa do Iphan atua em obras emergenciais na “igreja de ouro”

Por Redação 13/02/2025, às 21h07 - Atualizado às 17h59

Uma força-tarefa composta por 15 servidores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está mobilizada para prestar apoio técnico à superintendência do órgão na Bahia. O objetivo é viabilizar a contratação de obras emergenciais para a Igreja de São Francisco, em Salvador, após o desabamento de parte do forro do teto da nave central na última quarta-feira (5). O templo foi interditado para garantir a segurança dos frequentadores.

Em nota, o Iphan informou que a equipe é formada por arquitetos e engenheiros com experiência destacada no órgão, sendo a maioria com mais de 15 anos de atuação. Os profissionais foram mobilizados a partir da sede e de seis superintendências regionais, incluindo a da Bahia. A principal missão do grupo é auxiliar na instrução processual e na seleção da empresa responsável pelos serviços emergenciais na estrutura da igreja.

A análise do processo de restauro teve início na madrugada do dia 6 de fevereiro. Os trabalhos envolvem desde o escoramento e estabilização da estrutura até a realização de um diagnóstico detalhado. Além disso, serão realizados procedimentos de triagem, catalogação, higienização, proteção e armazenagem de estruturas e bens artísticos que serão restaurados e remontados posteriormente.

Os trabalhos da força-tarefa começaram na última terça-feira (11), com alguns profissionais atuando presencialmente em uma sala exclusiva na superintendência do Iphan na Bahia e outros de forma remota. A previsão é que o grupo permaneça mobilizado até, pelo menos, 21 de fevereiro.

Vistoria

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, declarou nesta quinta-feira (13), durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministra”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que as avarias no teto da igreja haviam sido sinalizadas ao Iphan antes do desabamento. Segundo ela, uma vistoria já estava programada para ocorrer no local.

“Quando foi sinalizada a questão do teto – que, inclusive, nem os próprios padres imaginavam que aquilo iria ceder, ou não abririam a igreja –, eles deram entrada e, dois dias depois – isso é protocolo do registro – já tinha sido marcada a visita dos técnicos do Iphan à Igreja de São Francisco”, afirmou a ministra.

Margareth Menezes lamentou o ocorrido e destacou os esforços para mitigar os danos. “Infelizmente, aconteceu um desastre com uma fatalidade, e isso nos comove a todos. Mas estão sendo feitos levantamentos e perícias”, acrescentou.

Outras interdições

A preocupação com a segurança estrutural de patrimônios históricos levou o Iphan a interditar também a Paróquia Nossa Senhora de Boa Viagem, também em Salvador. O anúncio foi feito nas redes sociais da igreja, informando que a decisão ocorreu após duas vistorias realizadas nesta semana.

Em Manaus, técnicos do Iphan no Amazonas se reuniram na terça-feira (11) com representantes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, da Unidade Gestora de Projetos Especiais do governo estadual e da Arquidiocese de Manaus. O objetivo foi avaliar soluções para a cobertura da Igreja de São Sebastião, interditada no início de janeiro por recomendação do instituto.

A ministra Margareth Menezes enfatizou a necessidade de investimentos para a preservação do patrimônio histórico. “É preciso entender que existe um histórico e que nossa gestão tem buscado se debruçar sobre isso para dar continuidade a todas essas ações de restauro. É um processo complexo, que exige orçamento e, principalmente, mão de obra especializada”, destacou.