Ensino técnico no Brasil cresce e ultrapassa 2,5 milhões de matrículas

Por Redação 10/04/2025, às 02h02 - Atualizado 09/04/2025 às 22h06

O número de matrículas em cursos de educação profissional e tecnológica (EPT) no Brasil chegou a 2,57 milhões em 2024, de acordo com os dados do Censo Escolar, divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Ministério da Educação (MEC). O total representa um crescimento de 2,4 vezes em relação ao ano anterior.

A maior parte das matrículas está concentrada na rede pública, com 1,57 milhão de alunos. Dentro desse grupo, 74,3% das vagas são oferecidas por escolas estaduais, 21,4% por instituições federais e 4,3% pela rede municipal.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que a ampliação do ensino técnico no país é uma das prioridades do governo federal. “Nosso desejo é colocar o Brasil nos patamares dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. É ousadia minha?”, disse, durante a apresentação dos dados.

O Censo também mostra crescimento nos chamados programas vocacionais, que combinam o ensino médio regular com cursos técnicos ou de formação de professores (magistério). A proporção de estudantes matriculados nessas modalidades passou de 12,5% em 2021 para 17,2% em 2024.

Entre os estados, o Piauí se destaca, com 52,4% das matrículas do ensino médio regular vinculadas a cursos técnicos ou de magistério, a maior proporção do país.

Expansão e investimentos

Para impulsionar a educação técnica, o governo federal está investindo na criação de 102 novos campi de institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), com aporte de R$ 2,5 bilhões. A meta é abrir 140 mil novas vagas, prioritariamente para cursos técnicos integrados ao ensino médio.

Além disso, o MEC informou que repassou R$ 1,4 bilhão para melhoria da infraestrutura dos institutos federais já existentes.

Outra aposta do governo é o programa Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), que permitirá aos estados usar parte dos recursos economizados com a renegociação de dívidas com a União para expandir as matrículas em educação técnica a partir de 2026.

De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE) 2014–2025, a meta é alcançar 4,8 milhões de matrículas em cursos técnicos de nível médio até o próximo ano. No caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o plano prevê que pelo menos 25% das matrículas sejam integradas à formação profissional técnica.

O governo aposta no fortalecimento da EPT como uma estratégia para elevar a qualificação profissional dos jovens e melhorar a inserção no mercado de trabalho.