O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), decidiu exonerar Sátiro Sousa Cerqueira Júnior do cargo de diretor do Presídio de Salvador, vinculado à Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (5), após forte repercussão negativa.
A nomeação de Sátiro gerou polêmica desde que se tornou pública. Ex-detento, ele já respondeu por crimes como tentativa de homicídio qualificado e feminicídio. A escolha foi criticada por entidades representativas da categoria, que classificaram a medida como “um desrespeito inaceitável aos servidores da segurança pública”.
Em 2019, Sátiro foi preso em flagrante, acusado de atirar contra um vizinho durante uma discussão por som alto. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou o caso como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Ele chegou a ficar custodiado no próprio Presídio de Salvador — unidade que, agora, ele havia sido nomeado para dirigir — até ser beneficiado com liberdade provisória.
A nomeação, que previa um salário superior a R$ 11 mil, gerou reação imediata da Associação dos Agentes Socioeducadores e Monitores Penitenciários (AASPTE), que divulgou uma nota de repúdio, cobrando explicações da Seap e do governo estadual. Na nota, a entidade afirmou que a decisão fere os princípios da moralidade e da impessoalidade no serviço público, além de ser uma afronta à categoria.
Procurado, o governo do estado não comentou oficialmente o motivo da exoneração, mas a decisão ocorre em meio à pressão pública e institucional.