Deputado Lucas Bove tem pedido de cassação por agressão a Cíntia Chagas arquivado

Por Redação 27/08/2025, às 13h32 - Atualizado às 12h16

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu, nesta terça-feira (26), arquivar a denúncia contra o deputado estadual Lucas Bove (PL), acusado de quebra de decoro parlamentar após denúncias de agressões físicas e psicológicas feitas pela ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas.

O pedido de cassação havia sido protocolado pela deputada Mônica Seixas (PSOL), mas foi rejeitado por seis dos sete integrantes do colegiado. Apenas Ediane Maria (PSOL) votou pelo prosseguimento da representação. Votaram pelo arquivamento Oseias de Madureira (PSD), Carlos Cezar (PL), Dirceu Dalben (Cidadania), Eduardo Nóbrega (Podemos), Rafael Saraiva (União Brasil) e Delegado Olim (PP).

Cíntia, que tem mais de 6 milhões de seguidores nas redes sociais, registrou queixa contra o deputado no ano passado e relatou episódios de violência física, psicológica e ameaças durante o relacionamento de mais de dois anos. Entre os episódios narrados, ela afirma ter sido lesionada após o parlamentar arremessar uma faca em sua direção e relata que foi humilhada em público, além de ter a vida profissional controlada por ciúmes excessivos.

Após a decisão do Conselho, Cíntia criticou a postura da Alesp: “Trata-se de um desserviço de membros da Casa. Preocupados apenas com o corporativismo, mostram indiferença às mulheres. Não é à toa que eu temia pela minha vida ao lado dele, que sempre dizia ser ‘imbatível por ser branco, com cara de rico e deputado’”.

O caso segue sob investigação na 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Paulo, e tramita sob sigilo judicial. A Justiça já concedeu medidas protetivas em favor de Cíntia, que incluem a proibição de aproximação, contato e presença em locais frequentados pela influenciadora.

A advogada Gabriela Manssur, que representa Cíntia, afirmou que a decisão da cliente foi “um ato de coragem, de proteção à sua integridade física, psíquica e moral e, acima de tudo, uma medida de sobrevivência, servindo de exemplo para outras mulheres”.

O deputado nega as acusações.

Violência contra mulheres em alta

Durante o Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, um levantamento do Instituto Fogo Cruzado mostrou aumento de 45% nos casos de feminicídio e tentativas de feminicídio por arma de fogo em 2025. Até a primeira quinzena de agosto, 29 mulheres foram vítimas em 57 municípios monitorados — 22 delas não resistiram.

A maioria dos crimes ocorreu dentro de casa, com 15 registros, mas bares e locais públicos também aparecem como cenários de ataques. O estudo aponta que a letalidade cresceu em relação ao ano passado, quando 20 mulheres foram baleadas, das quais 12 morreram.