Carla Zambelli participa de reunião na Câmara, mesmo detida na Itália

Por Redação 10/09/2025, às 12h33 - Atualizado às 11h36

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), detida em uma penitenciária feminina em Roma, na Itália, participou nesta quarta-feira (10) de uma reunião por videoconferência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O encontro marca o início da análise de um processo que pode resultar na perda de seu mandato, um desdobramento de sua condenação a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A sentença, por comandar uma invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não cabe mais recurso.

Antes que a condenação se tornasse definitiva, Zambelli deixou o país e foi considerada foragida pela Justiça brasileira, com seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. Em julho, a parlamentar foi presa na Itália e, desde 29 de julho, aguarda uma decisão sobre seu processo de extradição na penitenciária de Rebibbia.

A participação remota de Zambelli na oitiva de duas testemunhas — o hacker Walter Delgatti e Michel Spiero, assistente técnico da defesa — foi autorizada pela justiça italiana. A defesa da deputada avalia que uma das estratégias para tentar salvar o mandato será “mostrar que Delgatti mentiu”.

Segundo as regras da Câmara, após uma condenação criminal definitiva de um parlamentar, a análise sobre a perda do mandato inicia na CCJ e, posteriormente, segue para o plenário. Para que o mandato de Carla Zambelli seja cassado, é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados.

No final de maio deste ano, Zambelli deixou o Brasil. Sua prisão pelas autoridades italianas ocorreu no fim de julho, após ter sido localizada em um apartamento em Roma. A defesa da deputada alega que ela se entregou espontaneamente, embora os registros da polícia revelem um cerco para evitar que ela fugisse. Ela não ofereceu resistência à prisão.

Carla Zambelli está de licença por 127 dias, prazo que se encerra em 2 de outubro deste ano. O pedido foi feito antes que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidisse por sua prisão preventiva.