Brown celebra permanência de hits no Carnaval e cobra valorização da música baiana

Por Redação 09/02/2026, às 19h10 - Atualizado às 18h56

Carlinhos Brown comentou, nesta segunda-feira (9) no Candyall Guetho Square, sobre o sucesso duradouro de músicas de carnavais passados. Ele avalia que a longividade dos famosos “hits” está diretamente ligado ao modo como elas foram incorporadas ao inconsciente coletivo e às transformações da música baiana ao longo do tempo.

Para o artista, algumas canções atravessaram gerações porque se tornaram referências de estilo e ajudaram a definir a identidade do axé music. Brown afirmou se sentir privilegiado por ver composições suas e de outros artistas serem escolhidas espontaneamente pelo público para cantar e celebrar.

Segundo ele, esse processo consolidou uma estética própria do gênero, marcada pela força da percussão e pela mistura de influências. “Um dos meus achados foi tirar a caixa do frevo e começar a botar percussão em cima, percussão latina, percussão baiana, samba de roda”, afirmou.

O músico destacou ainda a evolução técnica dos percussionistas da Bahia, que, segundo ele, estão entre os melhores do mundo. Para Brown, a música baiana avançou muito em qualidade, mas parte desse potencial ainda não é plenamente aproveitado. Ele avalia que é necessário repensar o repertório e a forma como o entretenimento é construído, para evitar retrocessos.

Nos últimos anos, o artista diz ter concentrado esforços em um processo de reestruturação cultural e social, com foco na valorização dos trios, do comércio local e de áreas históricas como o Pelourinho. Brown defendeu mais segurança, infraestrutura e oportunidades para as famílias que vivem nesses espaços, de forma a integrar moradores, artistas e turistas, como grupos voltados para o social já fazem.

Essa visão, segundo ele, também orienta sua produção musical. Brown alegou carregar a responsabilidade de permanecer na Bahia e seguir socialmente ativo, mesmo se considerando um artista bem-sucedido. Ele se define como alguém em “eterna experimentação”, disposto a arriscar e inovar, acreditando que o tempo e o público acabam consolidando aquilo que permanece na memória coletiva.

Ao citar exemplos como “Leva”, “Água Mineral”, “Maimbê” e canções lançadas até no domingo de Carnaval que ganharam força nos dias seguintes, Brown reforça a ideia de que a música carnavalesca não nasce pronta. Para ele, o sucesso acontece quando a canção encontra o público certo e se transforma em trilha permanente da festa, como ocorreu com trabalhos do Afro Pop e músicas que seguem sendo cantadas décadas depois.