Por Záfya Tomaz
A disputa política na Bahia pode ganhar novos contornos nos próximos anos. Embora o grupo liderado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) governe o estado desde 2007, analistas apontam que o cenário para as eleições de 2026 tende a ser mais competitivo.
Para o cientista político João Vilas Boas, o longo ciclo de poder do grupo governista pode gerar desgaste natural, o que abre espaço para o avanço da oposição. Ele lembra que, em 2022, o contexto nacional teve forte influência no resultado eleitoral. “O governo caminha para um projeto de 20 anos, o que naturalmente produz desgastes. Em 2022 houve um forte impulso do presidente Lula, que vivia um momento favorável e contribuiu para a eleição de Jerônimo Rodrigues. Desta vez, o cenário tende a ser mais regionalizado e, por isso, mais desafiador para o governo”, afirma.
Segundo o analista, a oposição no estado já não atua apenas como campo de contestação, mas começa a se posicionar como uma alternativa real de poder. Um dos fatores que fortalecem esse campo político, na avaliação dele, é a experiência administrativa da capital baiana. “Há um contraponto consistente de narrativa ao governo e, para além do discurso, existe um ativo concreto: a experiência administrativa da prefeitura de Salvador, percebida por parcela significativa da população como um case positivo de gestão”, diz. Para ele, isso reforça o capital político do ex-prefeito ACM Neto, especialmente em Salvador e na Região Metropolitana.
Apesar disso, Vilas Boas ressalta que a oposição ainda enfrenta desafios para ampliar sua presença no interior do estado. “ A oposição se posiciona bem nos grandes centros, mas ainda dialoga pouco com o interior. A escolha de Zé Cocá para vice tende a reduzir esse desequilíbrio”, afirma.
Na avaliação do cientista político, alguns movimentos recentes também indicam um ambiente político mais tensionado e competitivo. Ele cita, por exemplo, mudanças de alianças e dificuldades na composição política do governo estadual.
Vilas Boas ainda faz um paralelo histórico com a eleição de 2006, quando Paulo Souto, mesmo com forte estrutura política, foi derrotado por Jaques Wagner após um longo período de domínio de um mesmo grupo no estado.
“Esse tipo de analogia sugere que há, sim, sinais de mudança e uma disputa em aberto”, conclui.