ICEIA 190 anos: A escola que formou de Santa Dulce a Milton Santos é celebrada em Salvador

Por Redação 28/04/2026, às 15h45 - Atualizado às 15h44

A história da educação na Bahia se confunde com os corredores do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Isaías Alves. O eterno ICEIA, que completou 190 anos de fundação, foi o centro das atenções em uma sessão especial na Câmara Municipal de Salvador nesta segunda-feira (27). O evento reuniu gerações que ajudaram a construir o mito em torno da instituição, desde ex-alunos ilustres até a atual comunidade acadêmica.

Patrimônio do bairro do Barbalho, o ICEIA ostenta uma lista de egressos que moldaram o Brasil. Por lá, passaram o geógrafo Milton Santos, a Santa Dulce dos Pobres, o ex-governador Waldir Pires, o cantor Lazzo Matumbi e o guerrilheiro Carlos Marighella.

Do Magistério à Tecnologia

Se no passado a unidade era a referência absoluta na formação de professores (antiga Escola Normal), hoje o foco é a tecnologia. Desde 2018, como Centro de Educação Profissional, o colégio oferece mais de dez cursos técnicos, como Informática, Gestão e Áudio e Vídeo.

Para alunos como Marcos César, 18 anos, a escola é uma ponte para o futuro. “Pretendo cursar Jornalismo na UFBA e ter um curso técnico de áudio e vídeo no currículo vai me ajudar muito”, afirma o estudante do 3º ano, que vê no ensino público de alto nível a base para sua carreira.

R$ 38 milhões para o futuro e o resgate cultural

A celebração dos 190 anos vem acompanhada de um canteiro de obras. O Governo do Estado investe cerca de R$ 38 milhões no complexo. A maior parte do recurso, R$ 28 milhões, foca na modernização da infraestrutura: novas salas, laboratórios, piscina e restaurante estudantil, com entrega prevista para 2027.

O destaque, no entanto, é o resgate do teatro histórico da unidade. Com um aporte de R$ 10 milhões, o espaço — que já foi palco de nomes como Elis Regina em 1978 — está sendo revitalizado para retomar seu lugar na cena cultural de Salvador com capacidade para mil pessoas.

Uma vida dedicada à escola

O sentimento de pertencimento é o que mantém o ICEIA vivo. O professor de matemática Alfredo Robson Nogueira é a prova disso: entrou no colégio aos quatro anos, no jardim de infância, e hoje, aos 36 anos de magistério, continua na mesma unidade. “Eu não consigo separar minha vida do ICEIA. Tenho o maior orgulho de ter passado minha vida inteira na escola pública”, resume.

Fundada em 1836, a instituição atravessou o Império, a República e a Era Vargas (quando ganhou seu atual complexo arquitetônico), mantendo-se como um termômetro da formação intelectual e política da Bahia.