O Irã ainda analisa a última proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra, que se estende há dois meses, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei. A declaração foi feita em entrevista a meios de comunicação iranianos nesta quinta-feira (6).
“O plano e a proposta dos EUA ainda estão em revisão pelo Irã; após finalizar suas considerações, o país as transmitirá ao lado paquistanês”, disse Baghaei à Agência de Notícias Estudantil Iraniana (ISNA). No mesmo dia, um membro sênior do Parlamento iraniano afirmou que o suposto texto da proposta, divulgado em uma reportagem do site americano Axios, não condiz com a realidade.
“O texto do Axios é mais uma lista de desejos dos americanos do que uma realidade; eles não ganharão em negociações o que não venceram na guerra”, escreveu Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Política Externa e Segurança Nacional do Parlamento, em rede social.
A proposta, segundo o Axios, prevê limitações ao enriquecimento de urânio pelo Irã em troca da suspensão de sanções econômicas e da liberação de ativos congelados pelos EUA. O texto também sugere a suspensão de bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz por ambos os países. De acordo com a reportagem, Washington espera uma resposta em 48 horas, mas o regime iraniano considera que o documento contém “termos inaceitáveis”. A afirmação foi feita na agência estatal Tasnim, que citou uma fonte não identificada.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nova ameaça ao Irã nesta mesma quinta-feira. Segundo ele, caso Teerã não aceite o acordo, novos bombardeios serão lançados. A postagem contradiz sua fala do dia anterior à postagem, quando citou um “grande progresso” nas negociações. “Se não concordarem, os bombardeios começarão e, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
Apesar das ameaças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país só aceitará um acordo “justo e abrangente”. “Faremos o possível para proteger nossos direitos e interesses legítimos nas negociações”, ressaltou.