Vaticano critica “cura gay” em relatório e propõe mais inclusão de LGBTQIAPN+ na Igreja

Por Redação 13/05/2026, às 05h34 - Atualizado às 05h37

 

Um documento divulgado pelo Vaticano traz críticas diretas às chamadas terapias de conversão, conhecidas como “cura gay”, e reconhece que a própria Igreja Católica pode contribuir para sentimentos de “solidão, angústia e estigma” entre pessoas LGBTQIAPN+. O texto reúne reflexões teológicas e relatos de fiéis sobre a vivência da fé em meio a conflitos de identidade e pertencimento.

Produzido por um grupo de estudos ligado ao Sínodo sobre a Sinodalidade, o relatório foi construído a partir de depoimentos anônimos que expõem tanto experiências de exclusão quanto trajetórias de reconexão com a espiritualidade em ambientes mais acolhedores.

Um dos relatos, de um homem gay na Europa, descreve os impactos das terapias de conversão e de orientações recebidas dentro da própria Igreja. Segundo ele, houve pressão para que se casasse com uma mulher como forma de “equilíbrio”, recomendação que considerou inadequada e que contribuiu para o afastamento da vida religiosa.

O documento que foi publicado na última terça (5) classifica esse tipo de prática como prejudicial, destacando efeitos negativos sobre a dignidade dos fiéis e sua relação com a fé.

Outro testemunho, de um homem nos Estados Unidos, aponta um caminho diferente. Ele relata que encontrou acolhimento em paróquias com iniciativas voltadas à população LGBTQIAPN+, o que foi fundamental para reconstruir sua espiritualidade e reduzir conflitos pessoais.

Segundo o relatório, experiências como essa demonstram a importância de ambientes mais inclusivos dentro da Igreja, capazes de fortalecer vínculos comunitários e promover maior bem-estar entre os fiéis.

Apesar de avanços pontuais, o texto reconhece que ainda há resistência em diferentes setores e a presença de atitudes discriminatórias em espaços religiosos. Diante disso, o documento defende a ampliação do diálogo, da escuta ativa e de práticas pastorais voltadas à inclusão.

Na conclusão, o Vaticano reforça a necessidade de reconhecer a dignidade das pessoas LGBTQIAPN+ e de construir comunidades mais abertas, com base no respeito e no acompanhamento das experiências concretas dos fiéis.