“Prefeitura não decide”, diz Bruno Reis sobre acordo entre rodoviários e empresários em Salvador

Por Redação 14/05/2026, às 12h59 - Atualizado às 14h19

Em meio às negociações da campanha salarial dos rodoviários de Salvador, o prefeito Bruno Reis afirmou que a Prefeitura tem atuado como mediadora no impasse entre trabalhadores e empresários do transporte coletivo. A declaração foi dada nesta quarta-feira (14), durante evento de apresentação do São João promovido pela gestão municipal.

“Já sentei com os rodoviários e já sentei com os empresários. Estou tentando mediar um acordo, não cabe à Prefeitura esta decisão. É uma relação patronal entre empregado e empregador”, declarou o prefeito.

A categoria dos rodoviários discute reajuste salarial, aumento no ticket alimentação e mudanças na jornada de trabalho. Nos últimos dias, trabalhadores realizaram atrasos na saída dos ônibus das garagens, além de operações tartaruga em algumas regiões da capital, como forma de pressionar os empresários durante as negociações.

Segundo Bruno Reis, os empresários alegam dificuldades financeiras para conceder reajustes acima da inflação. O prefeito destacou que o aumento recente da tarifa de ônibus também foi calculado com base apenas na inflação do período.

“Todo trabalhador, de forma justa, quer ter um ganho real. Por outro lado, as empresas colocam a dificuldade de dar um reajuste acima da inflação do período, até porque a tarifa do ônibus foi reajustada com base na inflação”, afirmou.

O prefeito também comentou que uma reunião mediada pela Superintendência Regional do Trabalho busca avançar nas negociações entre as partes. Caso não haja acordo, a Prefeitura pretende provocar a Justiça do Trabalho para tentar evitar uma paralisação do sistema.

“Eu espero que eles se entendam. Caso não haja esse acordo, a gente vai provocar a Justiça para tentar mediar. Senão, vai ter que ir para o dissídio”, disse.

Nesta quinta-feira (14), os rodoviários aprovaram estado de greve durante assembleia realizada em Salvador. Apesar da decisão, os ônibus seguem circulando normalmente na cidade. Segundo o sindicato, uma eventual paralisação só poderá ocorrer após aviso prévio de 48 horas.

Bruno Reis ressaltou ainda que movimentos como assembleias, atrasos e mobilizações fazem parte do processo anual de negociação da categoria e lembrou que Salvador não registra greve dos rodoviários há cinco anos.

“É um direito que os trabalhadores têm de se organizar, de se mobilizar para buscar mais direitos”, concluiu.