Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo ataque a tiros em um cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, tem sido visto com frequência no Shopping Barra, em Salvador. A presença dele no local tem gerado apreensão entre frequentadores e trabalhadores, que relatam preocupação e dizem compartilhar registros do homem em grupos de mensagens.
Mateus foi condenado a mais de 100 anos de prisão após invadir uma sala de cinema armado com uma submetralhadora durante a exibição do filme “Clube da Luta”, em 1999, matando três pessoas e ferindo outras nove. Em 2024, ele foi colocado em liberdade por decisão da Justiça da Bahia, após um longo histórico de disputas judiciais envolvendo sua condição mental e responsabilidade penal.
A circulação do ex-detento no local tem chamado atenção e motivado reações de medo. O caso de Mateus envolve uma série de reviravoltas jurídicas desde o crime, ocorrido há mais de vinte anos. Na época, a defesa tentou sustentar que ele era inimputável, ou seja, incapaz de compreender o caráter ilícito de suas ações por conta de transtornos mentais. A tese, no entanto, foi rejeitada após avaliações conduzidas por uma junta de especialistas, que concluiu que ele tinha plena capacidade de entendimento e planejamento.
De acordo com os laudos iniciais, o ataque foi premeditado, com aquisição de arma, munição e estratégias para evitar rastreamento. Em 2003, Mateus foi condenado e encaminhado ao sistema prisional.
Transferido para Salvador no ano seguinte, ele passou a cumprir pena na Penitenciária Lemos Brito. Ainda preso, foi acusado de tentar matar um colega de cela, o traficante Francisco Vidal Lopes, de 58 anos, o que deu origem a um novo processo judicial. Nesse segundo caso, houve mudança de entendimento: acusação e defesa passaram a sustentar a inimputabilidade, tese que, aceita pelo júri, deu resultado a uma absolvição imprópria e internação em hospital de custódia por tempo indeterminado.
Durante o período de internação, relatórios apontaram ausência de arrependimento genuíno e falta de empatia com as vítimas. Mesmo assim, após avaliações posteriores, a Justiça autorizou sua desinternação em 2024, com a condição de continuidade do tratamento psiquiátrico sob responsabilidade da família.
O Ministério Público da Bahia chegou a recorrer contra a soltura, mas a decisão foi mantida. Até o momento, não há registro de novas ocorrências criminais desde que Mateus passou a viver em liberdade.