Por Záfya Tomaz
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. A medida afeta cerca de 20% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e pode atingir entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões em vendas, segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
Ao todo, cerca de 2,3 mil produtos passaram a ser taxados. Os setores mais afetados são os de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Por outro lado, aproximadamente 700 produtos ficaram de fora da medida, número superior ao previsto durante as negociações entre os dois países.
A decisão do governo norte-americano foi baseada em uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Entre os argumentos apresentados estão questões relacionadas ao Pix, à regulação das redes sociais, ao desmatamento ilegal, ao acesso ao mercado de etanol, ao combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual e aos acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países.
O governo brasileiro afirmou que rejeita essas justificativas e que a medida tem motivação política. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante as negociações, os Estados Unidos defenderam uma abertura maior do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas.
Como resposta ao tarifaço, o governo federal anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores afetados. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de incentivos para que empresas ampliem as exportações para outros mercados e reduzam a dependência do mercado norte-americano.