A campeã olímpica Ana Marcela Cunha alcançou mais um feito histórico na carreira nesta quarta-feira (22). A nadadora baiana completou a travessia do Canal da Mancha em 8h27min12s, percorrendo cerca de 37 quilômetros entre Dover, na Inglaterra, e a costa da França, estabelecendo o novo recorde sul-americano da prova entre homens e mulheres.
A travessia começou por volta das 5h no horário local (1h em Brasília) e concretizou um sonho que acompanhava a atleta desde a adolescência. Embora o Canal da Mancha tenha aproximadamente 34 quilômetros em linha reta, as correntes marítimas e as mudanças de maré fazem com que os nadadores percorram uma distância maior durante o desafio.
Além do recorde continental, Ana Marcela ainda poderá ser reconhecida pelo Guinness World Records como a campeã olímpica de maratona aquática mais rápida a concluir a travessia. Um representante da organização acompanhou o percurso, mas a homologação oficial ainda depende da análise da documentação.
A data da largada foi definida após o monitoramento das condições do mar. A janela para a tentativa começou em 20 de julho e seguiu critérios como intensidade dos ventos, altura das ondas, visibilidade, temperatura da água e das correntes marítimas. A nadadora chegou à Inglaterra dias antes para se adaptar às condições da prova.
Mesmo com a água em torno de 19°C, Ana Marcela cumpriu as regras da travessia utilizando apenas um maiô convencional, já que o uso de roupas térmicas é proibido. Durante todo o percurso, ela foi acompanhada por uma embarcação de apoio, sem poder receber qualquer sustentação física.
Ao longo das mais de oito horas de desafio, a baiana enfrentou ondas, correntezas, mudanças de maré e o intenso tráfego de embarcações em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. A equipe de apoio contou com o treinador Kafu, o guia Igor de Souza, além de árbitro, barqueiro, representantes do Guinness e profissionais responsáveis pelo suporte e registro da travessia.
Antes do desafio, Ana Marcela destacou o significado especial da conquista. “Acredito que esse é o maior desafio da minha vida. Claro, o ouro olímpico foi desafiador, mas a travessia do Canal da Mancha é um sonho de adolescente. Desde os meus 14 anos queria fazer isso e agora encontrei o melhor momento para esse desafio. É uma grande realização estar aqui”, declarou.
A preparação incluiu treinos específicos no Centro de Treinamento do Time Brasil e uma simulação de quase 12 horas na Represa Billings, em São Paulo, para reproduzir as condições de temperatura e resistência exigidas pela travessia. O trabalho contou com o acompanhamento da equipe multidisciplinar do Comitê Olímpico do Brasil e servirá como base para o planejamento da sequência da carreira da atleta até os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.