O advogado Daniel Bialski anunciou nesta terça-feira (3) que deixou a defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), após a parlamentar afirmar que está na Europa e solicitar licença do mandato. Em nota, o criminalista afirmou ter sido apenas informado da saída do país e justificou a renúncia por “motivo de foro íntimo”.
“Fui apenas comunicado pela deputada que estaria fora do Brasil para dar continuidade a um tratamento de saúde. Todavia, por motivo de foro íntimo, estou deixando a defesa da deputada”, declarou Bialski, acrescentando que eventuais informações sobre o caso devem ser solicitadas à equipe da parlamentar.
Zambelli foi condenada em maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e adulterar documentos. A pena ainda não está em execução, já que não houve trânsito em julgado da decisão.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia pedir a prisão preventiva da deputada. Interlocutores do procurador-geral Paulo Gonet consideram que a viagem internacional, não comunicada previamente às autoridades, pode ser interpretada como tentativa de fuga da jurisdição brasileira. Ministros do STF afirmam que, caso fique comprovado o objetivo de evitar o cumprimento da pena, Zambelli pode ter o nome incluído na lista da Interpol.
A deputada tem dito que busca retomar tratamentos médicos e que, mesmo no exterior, continuará denunciando o que considera abusos do Judiciário. Ela citou como exemplo o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está fora do país.
Zambelli também foi condenada ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos e teve sua inelegibilidade declarada. O pedido formal de afastamento do mandato ainda não foi registrado na Câmara dos Deputados.