Chuvas abaixo da média no verão deixam solo seco e impactam agricultura, alerta Inmet

Por Redação 28/03/2025, às 02h04 - Atualizado 27/03/2025 às 17h04

O verão 2024/2025 terminou com volume de chuvas insuficiente para repor o estoque de água no solo em boa parte do Brasil, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A situação comprometeu a umidade necessária ao plantio e desenvolvimento de culturas agrícolas e agrava o cenário de escassez hídrica em regiões já afetadas por secas prolongadas e queimadas.

De acordo com o Inmet, os maiores déficits de precipitação — cerca de 200 milímetros abaixo da média — foram registrados no norte do Pantanal, norte de Mato Grosso, Rondônia, leste do Acre e sudoeste do Pará. Em outras palavras, essas áreas deixaram de receber 200 litros de água por metro quadrado de solo no período entre dezembro e fevereiro.

Apesar de parte do Amazonas, do sudoeste do Pará, Maranhão e Piauí terem registrado volumes mais expressivos de chuva, o instituto alerta que o cenário geral é preocupante, especialmente para a produção de grãos, que depende da umidade do solo na fase de semeadura.

Impacto nas lavouras e nos preços

A escassez de água no solo afetou diretamente áreas de floresta e regiões agrícolas importantes no oeste do Pará, leste do Amazonas, Rondônia e Pantanal. Nessas localidades, o Inmet verificou perda de folhas e queda na produtividade agrícola.

A agrometeorologista Lucietta Martorano ressalta que, embora a Amazônia Ocidental tenha apresentado boas condições de umidade, grande parte do Centro-Oeste, Minas Gerais, interior de São Paulo e até o Sul do país sofrem com a limitação de chuvas.

“A oferta hídrica está reduzida em boa parte do Brasil central, o que prejudica não só as culturas em desenvolvimento, mas também a recomposição da umidade do solo. Isso impacta diretamente a produção e, consequentemente, os preços dos alimentos”, explicou.

O alerta vem em um momento em que a inflação dos alimentos tem pressionado os índices econômicos. Segundo o IPCA-15 de março, a prévia da inflação foi de 0,64%, com os alimentos sendo o grupo de maior peso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse recentemente que espera uma queda nos preços a partir da supersafra prevista para este ano, mas o atual quadro climático pode colocar esse otimismo em risco.

Verão mais quente

Além da escassez de chuvas, o verão 2024/2025 foi o sexto mais quente no país desde o início das medições, em 1961. A temperatura média foi de 25,81°C, superando em 0,34°C a média histórica para o período (25,47°C). O verão mais quente já registrado foi o de 2023/2024, com média de 26,20°C.

As altas temperaturas, combinadas à baixa umidade, aumentam o risco de incêndios florestais e reduzem ainda mais a disponibilidade de água no solo, agravando os efeitos das mudanças climáticas na produção de alimentos.

Previsão para o outono

O Inmet já projeta que o outono também terá variações marcantes no regime de chuvas. A expectativa é de continuidade das irregularidades na distribuição da precipitação, o que deve manter os desafios para o setor agrícola. A previsão completa para o outono está disponível no site do Inmet.