Os planos de saúde coletivos registraram um reajuste anual médio de 9,9% no primeiro bimestre de 2026. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na última sexta-feira (8), este é o menor índice verificado desde 2021. Apesar da desaceleração, o aumento representa mais que o dobro da inflação oficial (IPCA), que encerrou o período em 3,81%.
A variação de preços atinge a maioria absoluta do mercado: 84% dos 53 milhões de usuários no Brasil utilizam planos coletivos, cujos valores são definidos em negociação direta entre empresas e operadoras. Há, porém, uma desigualdade no peso desse aumento. Enquanto grandes grupos (com 30 pessoas ou mais) tiveram alta de 8,71%, os pequenos contratos de até 29 usuários sofreram um reajuste muito mais pesado, chegando a 13,48%.
Enquanto a ANS justifica a alta pela variação dos custos médicos e pela maior frequência de uso dos serviços, o Instituto de Defesa dos Consumidores critica os aumentos sistemáticos acima do custo de vida. Para o instituto, essa disparidade compromete o orçamento de trabalhadores e associações, especialmente em um cenário onde o setor de saúde suplementar demonstra saúde financeira máxima.
Diferente dos planos individuais, onde o governo fixa o preço, nos coletivos a ANS apenas monitora a média das negociações. Atualmente, o mercado brasileiro segue em expansão, com a adição de 906 mil novos vínculos em um ano.