Preços dos alimentos deve cair nas próximas semanas, garante ministro

Por Redação 09/04/2025, às 23h03 - Atualizado às 19h51

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta quarta-feira (9) que os preços dos alimentos devem continuar em queda nas próximas semanas, impulsionados pelo recuo global no valor das commodities e outros fatores sazonais, como a redução na demanda por ovos após a Páscoa e a renovação dos estoques no mercado interno.

“Hoje, eu recebi um dado do varejo e do atacado para a carne bovina. No varejo, ela já caiu e, no atacado, caiu muito mais. É o tempo de consumir o estoque pelo preço antigo. Vai cair mais ainda no varejo, como já está se mostrando no atacado”, disse o ministro, destacando que a tendência também se aplica a itens como óleo de soja, arroz e feijão.

Segundo Fávaro, a redução de preços ocorre sem necessidade de intervenção direta do governo no mercado. Ele afirmou que o Executivo optou por medidas ortodoxas, como o estímulo à produção e o aumento da oferta. “A gente está muito confiante de que, com as medidas tomadas de forma ortodoxa, sem nenhum tipo de pirotecnia, os preços dos alimentos vão ceder na ponta para o consumidor”, acrescentou.

Plano Safra 2025-2026 em discussão

Durante a tarde, Fávaro se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir os detalhes do Plano Safra 2025-2026, que começa a valer a partir de 1º de julho. A prioridade, segundo ele, será manter o subsídio às linhas de crédito do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

“A ideia é gastar o máximo possível de recursos do Tesouro para manter o Pronamp nos níveis atuais, com juros de 8% ao ano. Mas isso requer muito mais recursos do Tesouro”, explicou.

O atual Plano Safra destina R$ 65 bilhões para a equalização de juros. Com a taxa básica de juros (Selic) elevada, atualmente em 14,25% ao ano, a manutenção de taxas subsidiadas exigirá um volume maior de recursos públicos para cobrir a diferença.

O ministro também antecipou que o novo Plano Safra deve ampliar as linhas de crédito vinculadas ao dólar para grandes produtores. De acordo com Fávaro, essa modalidade tem custo zero para o Tesouro Nacional e juros ainda abaixo de 10% ao ano. Atualmente, os empréstimos dolarizados operam com taxa média de 8,5% ao ano, sendo voltados a produtores que exportam e estão naturalmente protegidos da oscilação cambial.

“O grande produtor está protegido da alta do dólar porque exporta boa parte da produção. Por isso, esse tipo de linha é vantajosa e não exige equalização de juros pelo Tesouro”, afirmou.

Fávaro disse ainda que já se reuniu com o Banco do Brasil e pretende estender as negociações a outros bancos que operam crédito rural, com o objetivo de ampliar a oferta dessas linhas de financiamento atreladas ao dólar.