Abraccine celebra 15 anos com nova lista dos 100 filmes brasileiros essenciais

Por Redação 13/05/2026, às 10h45 - Atualizado às 09h54

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) marca seus 15 anos de existência com uma iniciativa de peso: a reedição da lista dos 100 filmes mais importantes da cinematografia nacional. Dez anos após a primeira votação, a entidade mobilizou mais de 180 críticos de todas as regiões do país para atualizar o cânone, incorporando obras lançadas entre 2016 e 2026 — como os recentes Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho — e corrigindo lacunas históricas de representatividade.

Para a associação, a nova listagem não é apenas uma atualização cronológica, mas uma revisão necessária do olhar sobre a nossa própria história. O processo resultou em uma presença significativamente maior de filmes dirigidos por mulheres e cineastas negros, refletindo as transformações sociais e o amadurecimento do perfil da própria Abraccine. Segundo o presidente da entidade, Orlando Margarido, a mudança é natural e urgente, servindo como um espelho de como a percepção crítica acompanhou a evolução da sociedade na última década.

Uma das principais novidades desta edição é a ausência de um ranking numérico de preferência. A vice-presidente Cecilia Barroso explica que, embora 1.169 títulos tenham sido citados pelos votantes, a decisão final foi apresentar os 100 escolhidos em um mesmo patamar de importância. “Todos são essenciais para conhecermos o cinema brasileiro”, afirma, destacando que a lista percorre desde o marco experimental de Limite (1931) até os movimentos da chanchada, Cinema Novo, Cinema Marginal e a Retomada, chegando à premiada safra contemporânea.

Assim como na primeira edição, a seleção servirá de base para um livro que será lançado no final deste ano pela editora Letramento. A publicação, organizada por Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva, trará ensaios críticos sobre cada um dos 100 títulos, além de artigos teóricos que discutem recortes históricos e estéticos da produção nacional.

Confira a lista dos 100 filmes brasileiros essenciais divulgada pela ABRACCINE:

  1. Limite (1931), Mário Peixoto

  2. Ganga bruta (1933), Humberto Mauro

  3. O ébrio (1946), Gilda de Abreu

  4. Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle

  5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle

  6. O cangaceiro (1953), Lima Barreto

  7. Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos

  8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos

  9. O grande momento (1958), Roberto Santos

  10. O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga

  11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha

  12. O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias

  13. O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte

  14. Os cafajestes (1962), Ruy Guerra

  15. Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni

  16. Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos

  17. À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins

  18. A velha a fiar (1964), Humberto Mauro

  19. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha

  20. Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri

  21. Os fuzis (1964), Ruy Guerra

  22. A falecida (1965), Leon Hirszman

  23. A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos

  24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person

  25. A entrevista (1966), Helena Solberg

  26. O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade

  27. Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira

  28. A margem (1967), Ozualdo Candeias

  29. Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins

  30. O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person

  31. O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen

  32. Terra em transe (1967), Glauber Rocha

  33. O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla

  34. A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla

  35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade

  36. Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane

  37. O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha

  38. O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins

  39. Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla

  40. Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez

  41. Bang bang (1971), Andrea Tonacci

  42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman

  43. Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor

  44. Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul

  45. Compasso de espera (1973), Antunes Filho

  46. Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman

  47. A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura

  48. Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna

  49. Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto

  50. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco

  51. Mar de rosas (1977), Ana Carolina

  52. A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.

  53. Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor

  54. A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett

  55. Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues

  56. O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade

  57. Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco

  58. Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman

  59. Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko

  60. Das tripas coração (1982), Ana Carolina

  61. Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias

  62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia

  63. Amor maldito (1984), Adélia Sampaio

  64. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho

  65. Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos

  66. A hora da estrela (1985), Suzana Amaral

  67. A marvada carne (1985), André Klotzel

  68. Filme demência (1986), Carlos Reichenbach

  69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado

  70. Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat

  71. Superoutro (1989), Edgard Navarro

  72. Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach

  73. Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati

  74. Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles

  75. Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas

  76. Central do Brasil (1998), Walter Salles

  77. O auto da compadecida (2000), Guel Arraes

  78. Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky

  79. Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho

  80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund

  81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho

  82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz

  83. Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes

  84. O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz

  85. Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci

  86. Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho

  87. Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado

  88. Santiago (2007), João Moreira Salles

  89. Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra

  90. O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho

  91. O menino e o mundo (2013), Alê Abreu

  92. Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós

  93. Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert

  94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho

  95. Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans

  96. As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra

  97. Marte um (2022), Gabriel Martins

  98. Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta

  99. Ainda estou aqui (2024), Walter Salles

  100. O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho