Federação Bahiana de Futebol se une a clubes em manifesto contra possível mudança nas regras das bets

Por Redação 17/09/2026, às 22h01 - Atualizado às 22h06

A Federação Bahiana de Futebol (FBF) aderiu ao movimento de clubes e entidades esportivas que defendem a manutenção do mercado regulado de bets no Brasil. A manifestação ocorre diante da possibilidade de o Governo Federal editar uma Medida Provisória para retirar os jogos virtuais da regulamentação atual das apostas.

Na Bahia, entre os clubes, o Feira FC também publicou o manifesto. Bahia e Vitória, principais equipes do estado, não haviam divulgado posicionamento sobre o assunto até por volta das 21h30 desta quinta-feira (17).

A mobilização reúne federações e clubes de diferentes estados. Em São Paulo, o documento foi publicado pela Federação Paulista de Futebol, com Palmeiras, Santos e São Paulo. No Rio de Janeiro, aderiram a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. O Cruzeiro também divulgou o texto.

No manifesto, as entidades afirmam que o dinheiro investido por empresas de apostas autorizadas se tornou uma das principais fontes de receita do futebol brasileiro. Segundo o documento, os recursos também chegam a clubes de menor porte, equipes das divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.

A reação ocorre enquanto o governo avalia mudanças na regulamentação das bets. Segundo informações divulgadas pelo ge, uma Medida Provisória já estaria pronta e poderia ser publicada até a próxima terça-feira (22). A proposta em discussão retiraria os jogos virtuais do conjunto de modalidades de apostas de quota fixa previsto na Lei nº 14.790/2023.

A eventual medida, portanto, não proibiria as apostas esportivas.

Clubes citam risco de perda de receitas

Os clubes argumentam que uma mudança nas regras poderia reduzir os investimentos das empresas de bets no futebol. O setor estima que as empresas paguem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios somente aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

No documento, as entidades afirmam que uma redução abrupta dessas receitas poderia afetar contratos já firmados e o planejamento financeiro dos clubes. Também citam possíveis impactos em estruturas administrativas, centros de treinamento, futebol feminino e categorias de formação.

Outro ponto levantado no manifesto é o risco de crescimento das plataformas clandestinas. Para os clubes, retirar o mercado regulado não eliminaria as apostas e poderia levar consumidores para empresas que não estão submetidas às regras de fiscalização e proteção estabelecidas pelo Estado.

As entidades defendem o combate às plataformas ilegais, o reforço da fiscalização e o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção aos usuários, mas são contrárias a uma mudança que, segundo elas, comprometa o atual modelo de regulamentação.

A possível alteração das regras tem provocado articulação entre dirigentes esportivos. Desde a semana passada, clubes e representantes do setor vêm realizando reuniões para discutir o cenário e também projetos que tratam da publicidade de bets.

O governo, por outro lado, avalia restrições diante dos impactos sociais associados às apostas, especialmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade econômica.