Por Íssala Queiroz
O dia 13 de maio é especial para milhões de torcedores: o Esporte Clube Vitória completa 126 anos de história. Fundado em 1899, em Salvador, o clube carrega uma trajetória que vai além dos gramados — é sinônimo de identidade, resistência e emoção para quem veste o vermelho e preto.
O Vitória nasceu como um clube multiesportivo, chamado Club de Cricket Victoria, e foi um dos primeiros do Brasil a praticar o futebol. Só em 1946 passou a adotar o nome atual. Com o tempo, o Leão da Barra se tornou parte essencial da vida de seus torcedores, construindo uma relação marcada por momentos de glória e desafios superados, além da identificação com as cores e do mascote.
Entre as histórias que formam esse sentimento de pertencimento está a de Hillary Queiroz, torcedora que resumiu o que muitos sentem: “Me tornei torcedora do Vitória porque me apaixonei pela torcida, pela garra do time e pela emoção que é ver o Leão em campo. A energia da arquibancada me conquistou e, desde então, meu coração é rubro-negro.”
Um dos pontos de virada nessa trajetória foi a inauguração do Estádio Manoel Barradas, o Barradão, em 1986. Desde então, o clube conquistou 23 dos seus 30 títulos estaduais, quatro Copas do Nordeste e, mais recentemente, a Série B do Brasileirão em 2023. Foi também no Barradão que o Vitória viveu campanhas históricas, como o vice-campeonato da Série A em 1993 e o vice da Copa do Brasil em 2010.
Além do futebol profissional, o clube é lembrado por sua forte atuação na formação de atletas. A “Fábrica de Talentos” revelou nomes que brilharam no Brasil e no mundo, como Bebeto, Dida, Vampeta, Hulk, David Luiz e Gabriel Paulista. E é impossível falar da história rubro-negra sem citar ídolos como Ramon Menezes, André Catimba, Petkovic, Viáfara, Neto Baiano, entre tantos outros que marcaram época.
O torcedor Moisés Cruz, que acompanha o time há mais de 3o anos, conta que “Foi com 15 ou 16 anos que fui pela primeira vez a um estádio. A energia, a vibração, os cantos de guerra, estar próximo da torcida organizada… aquilo tudo mexeu muito comigo. Era uma experiência que eu não conhecia até então”.
A partir dessa vivência, ele relata que passou a frequentar com mais regularidade os jogos do clube rubro-negro. “Comecei a ir mais vezes, ver os atletas de perto, viver a emoção de gritar um gol dentro do estádio. Aquilo foi tomando conta de mim”, conta. O envolvimento com o time cresceu ainda mais na década de 1990, quando, já adulto, acompanhou uma das fases mais marcantes da história do Vitória.
Hoje, Moisés compartilha essa relação com a esposa e a filha. “Tenho uma família rubro-negra. Minha filha, que é jornalista, vai comigo aos jogos, acompanha a escalação, sabe os dias das partidas. Ela até me manda informações sobre o time”, e afirma “O Vitória faz parte da nossa rotina.”
Ao longo dos anos, Moisés acompanhou momentos de crise e conquistas. Ele cita passagens por diferentes divisões e títulos conquistados. “Passamos pela Série C, Série B e fomos campeões. Estivemos na Série A. Ser Vitória é isso: não jogar a toalha, é sempre acreditar.”
Com mais de um século de história, o Vitória segue como símbolo do esporte baiano e nacional, sustentado por sua base, sua torcida e sua trajetória no futebol brasileiro. Moisés encerra com um reconhecimento: “Tenho gratidão ao clube, à torcida e às vitórias que conquistamos. O maior patrimônio do Vitória é o seu torcedor.”