Comida acessível: Restaurantes Populares servem 900 mil refeições por ano em Salvador

Por Redação 10/09/2026, às 20h00 - Atualizado às 15h34

Por Julia Lima 

Para quem entra em uma das unidades dos Restaurantes Populares Vida Nova, a refeição pode significar coisas diferentes. Pode ser a economia de um valor que é direcionado a uma outra necessidade, a oportunidade de comer de uma maneira mais saudável ou até mesmo garantir o que comer no dia. 

Aos 78 anos, Rosalia Souza, avó e aposentada, mora sozinha, mas, como ajuda a família, incorporar o Restaurante Popular à rotina teve impacto direto em sua vida. Para ela, o valor da refeição vai além de matar a fome: o acesso a uma comida de graça ajuda a economizar dinheiro para outras necessidades de casa. “Economizou muito meu dinheiro. Eu sou aposentada pelo LOAS, mas melhorou porque eu tenho neto, não mora comigo, mas eu ajudo e agora posso ajudar ainda mais com a alimentação daqui”, disse. 

Já para Miriam de Jesus, de 50 anos, as refeições se tornaram uma alternativa para garantir alimentação mais saudável e que agrade às crianças da casa. “Às vezes a gente não acha isso em casa, uma sobremesa, uma salada, um suco, e aqui a gente tem”, afirmou. 

Cristina Batista, 40 anos, que trabalha como gari em Novo Horizonte, faz as refeições em uma das unidades do restaurante. O deslocamento que faria para ir em casa almoçar e voltar ao trabalho ganhou outro caminho com a chegada do restaurante ao bairro. 

Hoje, ela já conhece a rotina do restaurante e, além de ser uma frequentadora recorrente, conta que costuma chegar ao local já sabendo o que vai pedir e como será recebida pelos funcionários. “Sempre que eu venho, eles são muito dedicados e atenciosos com a gente. Eu já venho sabendo o que vou comer; eles deixam ali fora o cardápio do que tem, então eu já venho sabendo o que eu vou pedir”, contou.

As histórias de Dona Rosalia, Cristina e Miriam ajudam a explicar que o que vai no prato está além de alimentação e economia, e, para muitas pessoas, é uma ajuda importante. 

O que é o Restaurante Popular?

Em Salvador, os Restaurantes Populares Vida Nova fazem parte da política de segurança alimentar do município e foram criados para ampliar o acesso a refeições de qualidade, principalmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

Coordenado pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o serviço foi se expandindo pela cidade e hoje atende moradores em diferentes regiões, como Sussuarana, São Tomé de Paripe, Pau da Lima, Águas Claras, Periperi, Fazenda Coutos, Vila Verde, São Cristóvão, Mares, Pernambués e Valéria.

Segundo o titular da pasta, Júnior Magalhães, a escolha dos locais onde as unidades são instaladas leva em consideração as áreas com maior demanda e indicadores relacionados à vulnerabilidade e à insegurança alimentar, identificados por meio de informações encontradas no Cadastro Único (CadÚnico). “Os restaurantes foram colocados nos locais com maior incidência de pessoas em vulnerabilidade. Nós identificamos isso pelo Cadastro Único, então nós fomos lá estudar o Cadastro Único, onde tinha maior número de famílias em vulnerabilidade social e insegurança alimentar. Esse é o critério de implantação dos restaurantes”, disse em entrevista ao portal Taktá. 

Contudo, a proposta não se limita ao fornecimento das refeições. A ideia é que, a partir da identificação das necessidades dos frequentadores, também sejam realizados encaminhamentos para outros serviços da rede de assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), para que sejam oferecidas oportunidades de qualificação profissional. 

Ainda segundo o secretário, as unidades distribuem, juntas, aproximadamente 4.400 refeições diariamente, o que representa um volume de aproximadamente 900 mil refeições ao ano. “Hoje são 4.400 pessoas que têm garantia de ter o seu alimento. Fornecendo durante o ano em torno de 900 mil refeições”, destacou.

Para a manutenção do serviço, é desembolsado anualmente pelo município um valor de R$ 12 milhões para despesas que incluem aluguel das estruturas, energia, funcionários e compra de matéria-prima utilizada na preparação das refeições.