Escavações confirmam existência de cemitério de escravizados no complexo da Pupileira

Por Redação 26/05/2025, às 18h01 - Atualizado às 18h37

Pesquisadores confirmaram que o complexo da Pupileira, no bairro de Nazaré, em Salvador, funcionou como cemitério de pessoas escravizadas no passado. A revelação foi feita nesta segunda-feira (26) durante coletiva de imprensa com representantes do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

A descoberta ocorreu durante escavações iniciadas neste mês. No dia 19 de maio, quinto dia de campo, foram encontrados vestígios de ossos longos e dentes humanos a três metros de profundidade. O material retirado foi aquele que emergiu com o uso de peneiras e será encaminhado para análise em laboratório. A área escavada, equivalente a três vagas de estacionamento, foi preservada e coberta.

De acordo com a arqueóloga Silvana Olivieri, o solo estava úmido e com acidez elevada, o que dificultou os trabalhos. A pesquisa contou com autorização da Santa Casa da Bahia, responsável pelo terreno, e foi acompanhada por técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A hipótese de que os restos mortais poderiam ter sido transferidos ao Cemitério do Campo Santo, na Federação, foi descartada. “O cemitério estava ali, esperando ser encontrado”, afirmou o arqueólogo Luiz Pacheco, coordenador de campo.

Segundo estimativas da pesquisa, até 1844, quando o cemitério foi desativado, cerca de 100 mil pessoas podem ter sido enterradas no local — entre elas, além de pessoas escravizadas, também indigentes, suicidas e outros marginalizados da sociedade. Caso a estimativa seja confirmada, será o maior cemitério de escravizados já identificado na América Latina.

As decisões sobre os próximos passos serão tomadas em conjunto entre a Santa Casa, o MP-BA e o Iphan. Em respeito à memória dos sepultados, os pesquisadores optaram por não divulgar imagens dos vestígios encontrados.