MPBA denuncia seis policiais por homicídio qualificado em operação em Porto Seguro

Por Redação 16/07/2026, às 18h21 - Atualizado às 18h39

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), denunciou hoje (16) quatro policiais militares e dois policiais civis pela morte de dois homens no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. Os crimes ocorreram em 10 de maio de 2025 durante a “Operação Travessia”, uma ação conjunta que envolveu agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). O MPBA também solicitou à Justiça o afastamento cautelar imediato de todos os denunciados de suas funções públicas.

De acordo com o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), as vítimas foram mortas sem qualquer possibilidade de confronto ou reação, em um contexto de total vulnerabilidade diante da atuação coordenada dos servidores públicos. Uma das vítimas foi executada em via pública após ser atingida por múltiplos disparos de armas de fogo de uso restrito. A segunda vítima foi submetida a uma revista pessoal e agredida fisicamente antes de ser baleada, conforme atestaram os laudos periciais que identificaram lesões corporais prévias aos disparos de armas de fogo.

Os seis agentes de segurança pública responderão por dois homicídios qualificados, com agravantes de motivo torpe, resultando em perigo comum. O recurso dificultou a defesa das vítimas e emprego de armamento de uso restrito do Estado. Ainda segundo a denúncia, os policiais civis e militares chegaram à localidade turística fortemente armados e utilizando fardamento tático completo, descaracterizando o que deveria ser um cumprimento regular de dever legal.

Os dois policiais civis envolvidos na ocorrência também foram denunciados pelo crime de fraude processual, sob a acusação de adulterar artificialmente a cena do crime para acobertar as execuções e simular um tiroteio inexistente. O Ministério Público do Estado da Bahia informou que a eventual prática de fraude processual por parte dos quatro policiais militares do Bope será investigada e julgada separadamente pela Vara de Auditoria Militar de Salvador, em razão da competência de jurisdição especializada para julgar condutas de militares estaduais.