Nove anos do naufrágio da Cavalo Marinho I: tragédia ainda deixa marcas e processos pendentes

Por Redação 24/08/2026, às 13h04 - Atualizado às 12h46

Nesta segunda-feira (24), completam-se nove anos do naufrágio da lancha Cavalo Marinho I, uma das maiores tragédias marítimas registradas na Baía de Todos-os-Santos. A embarcação fazia a travessia entre Mar Grande, em Vera Cruz, e Salvador quando virou poucos minutos após deixar o terminal, em 24 de agosto de 2017.

O acidente deixou 19 mortos e 59 feridos, segundo a investigação da Marinha. A embarcação transportava 116 passageiros e quatro tripulantes e naufragou em meio a condições de mar consideradas adversas.

A investigação apontou uma combinação de fatores relacionados à estabilidade da lancha, incluindo alterações estruturais realizadas antes do acidente, concentração de passageiros e condições meteorológicas no momento da travessia.

Ao longo dos anos, o caso avançou em diferentes instâncias. Em 2020, o Tribunal Marítimo responsabilizou o proprietário da embarcação, o responsável técnico e a empresa operadora. Já em 2025, a Justiça Criminal condenou o proprietário Lívio Garcia Galvão e o comandante Osvaldo Coelho Barreto a nove anos e 13 dias de prisão, por homicídio culposo e lesão corporal culposa. Os dois permanecem em liberdade enquanto recorrem da decisão.

A responsabilização, porém, ainda não encerrou a história para as famílias e sobreviventes. Processos por indenização continuam tramitando na Justiça. Decisões recentes reconheceram a responsabilidade solidária da União, da Agerba e da empresa responsável pelo transporte em ações movidas por vítimas.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (24), nove anos após o naufrágio, parte dos processos ainda aguarda sentença ou permanece em fase de recurso. Em um dos grupos acompanhados por advogado que atua no caso, seis das 24 pessoas representadas já receberam valores decorrentes das ações.

O naufrágio da Cavalo Marinho I permanece, portanto, como uma ferida aberta para familiares e sobreviventes. Nove anos depois, além da memória das 19 pessoas que perderam a vida, a tragédia ainda é marcada pela busca por responsabilização definitiva e pela reparação dos danos deixados pelo acidente.